Espanha minimiza cessar-fogo do ETA e exige fim da luta armada

Ministro do Interior diz que anúncio 'não é má notícia, mas não é a notícia que o governo espera'

estadão.com.br

10 de janeiro de 2011 | 11h49

País Basco está localizado no norte da Espanha, a oeste da França.

 

MADRI - O ministro do Interior e vice-presidente do governo espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, se mostrou cético quando ao cessar-fogo anunciado pelo grupo separatista basco ETA nesta segunda-feira, 10, e afirmou que o anúncio "não é má notícia, mas não é a notícia", segundo informações do jornal El País.

 

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Rubacalba repetiu o discurso do governo espanhol de que "o único comunicado que esperamos vir do ETA é a declaração de um fim irreversível e definitivo da luta armada". No comunicado divulgado nesta segunda, os separatistas não mencionam que estão dispostos a entregar as armas.

 

"O ETA tem uma visão distorcida da realidade, e agora se manifesta com a mesma arrogância, com a mesma linguagem e com a mesma dramaticidade de sempre. Quer manter sua posição e segue achando que o fim da violência tem um preço", disse Rubacalba.

 

O ministro descartou que o anúncio signifique o fim do grupo separatista. "Sim, estou mais tranquilo, mas se me perguntarem se este é o fim do ETA, direi que não, e já digo que isso também não é o que a sociedade espera, nem o governo. Não é uma má notícia, mas não é a notícia", disse.

 

Rubacalba ainda disse que a postura do governo espanhol sobre o grupo separatista não muda com o comunicado.

 

Descrédito

 

Partidos políticos e outras organizações também se mostraram céticos em relação ao anúncio do ETA. Maite Pagazaurtundua, presidente da Fundação de Vítimas do Terrorismo e irmã de um policial assassinado pelos separatistas em 2003, disse que "o comunicado não merece comentário nenhum". "O que o ETA tem que fazer é desaparecer", disse.

 

O Partido Popular rejeitou o comunicado separatista porque "não menciona uma única palavra sobre sua dissolução". O governo basco e partidos conservadores, de esquerda e de direita classificaram o anúncio de várias formas, entre elas "insuficiente", "uma piada", ou como "não era o esperado".

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