REUTERS/Andrea Comas
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Espanha necessita de um governo, diz Rajoy

Primeiro-ministro em exercício pediu ao Parlamento autorização para formar gabinete, mas tem 170 votos de um total de 176 necessários; voto fica para amanhã e nova tentativa pode acontecer na sexta

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS

30 Agosto 2016 | 16h53

O primeiro-ministro em exercício da Espanha, Mariano Rajoy, pediu nesta terça-feira, 30,  aos deputados que autorizem a formação de seu gabinete porque o país "necessita de um governo" após mais de oito meses de impasse político. O apelo foi direcionado a parlamentares do Partido Socialista (PSOE), de oposição, que terão o poder de decidir hoje, em votação, se o conservador poderá ou não governar. Caso fracasse, o premiê ainda terá uma segunda chance na sexta-feira. 

Rajoy discursou ao Parlamento durante 27 minutos na tarde de hoje, e o voto dos legisladores ficou para as 9h de hoje. Em um pronunciamento no qual ressaltou a estabilização econômica do país e a retomada do crescimento, apesar da alta dívida pública (de 100,9% do PIB) e do desemprego (de 20%), o premiê argumentou que sua legenda, o Partido Popular (PP, direita), foi a vencedora das eleições realizadas em dezembro e em junho, e que sua proposta de governo é a única alternativa possível.

"As razões pelas quais eu aceitei o encargo de sua majestade são três: a Espanha necessita de um governo com urgência, os espanhóis manifestaram sua preferência pelo PP e não existe uma alternativa razoável", disparou, em um ataque direto ao líder do PSOE, Pedro Sánchez, a quem acusa de bloquear a solução política da crise. "Quando Sánchez se apresentou ao Parlamento para tentar formar o governo ele já havia dito que a Espanha necessitava com urgência de um governo, e desde então se passaram três meses."

Segundo Rajoy, a aliança que firmou com o partido liberal Ciudadanos (centro direita) é a única preparada para governar e "trabalhar desde o primeiro minuto sem ter de perder um ano para colocar-se a par e resolver suas contradições internas". "Outra alternativa à minha seria um governo de mil cores, radical e ineficaz, condicionado por exigências de partido. Não existe alternativa viável", alegou.

 

O premiê em exercício lembrou ainda que a Espanha tem decisões econômicas importantes a tomar, mas, com um governo interino desde dezembro, não pode aprovar no Parlamento as medidas necessárias para ampliar o crescimento e o emprego e melhorar as contas públicas.

Em um último sinal aceno político, Rajoy se disse pronto a discutir com Sánchez um acordo que lhe permita governar. "Ofereço a todos os partidos, e em especial ao PSOE, que abramos uma negociação para um modelo estável que assegure igualdade a todos os espanhóis também na hora de receber serviços públicos", disse.

Esquerda. A proposta, entretanto, não seduziu a oposição. Porta-voz parlamentar do PSOE, Antonio Hernando descartou mais uma vez a hipótese de que a legenda vote a favor da posse de Rajoy ou forneça as 11 abstenções que o primeiro-ministro em exercício precisa para governar. "Os socialistas não têm nem uma só razão para lhe dar o voto de confiança, nem amanhã (hoje), nem na sexta", disse. "Trata-se de um discurso de um burocrata que não tem nenhum papel a desempenhar na Espanha do século 21."

Da parte do Podemos, partido radical de esquerda e terceira maior bancada do Parlamento, a postura é semelhante. Para o cientista político Gabriel Colomé, da Universidade de Barcelona, as chances de um acordo para a posse de Rajoy são mínimas, e não se pode descartar que os partidos de esquerda busquem um acordo para formar um gabinete. "Nenhum dos outros partidos vai se abster para deixar Rajoy governar, mas também eles não querem se dirigir para uma terceira eleição.

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