Espanha nega origem de surto e ameaça recorrer à OMC

A Espanha negou veementemente hoje que os pepinos exportados pelo país tenham provocado o surto de contaminação com a bactéria Escherichia coli (E.coli) na Europa. Pelo menos 12 pessoas morreram na Alemanha. Autoridades espanholas afirmaram que vão recorrer à União Europeia (UE) e eventualmente à Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa dos "enormes danos" que as acusações provocarão em sua indústria. Produtores da Espanha disseram que vão perder milhões de euros no comércio internacional, depois de autoridades da Alemanha terem relatado que vestígios da bactéria foram encontrados na semana passada em pepinos orgânicos produzidos no sul da Espanha.

FILIPE DOMINGUES, Agência Estado

30 de maio de 2011 | 18h24

Os espanhóis alegam que não há evidências até o momento para provar que a origem da infecção seja a Espanha, de modo que os produtos podem ter sido contaminados no manuseio posterior. A ministra da agricultura Rosa Aguilar rejeitou as acusações de que a contaminação começou na Espanha.

"Na Alemanha, os pepinos espanhóis foram identificados como responsáveis por essa situação. Deve ser dito que isso não é verdade e teremos de questionar as autoridades alemãs para que revelem a investigação que estão realizando", disse, em conferência. "Nosso entendimento é de que o problema não vem do país de origem. A própria Comissão Europeia destacou que não pode ser afirmado que o problema iniciou na Espanha", segundo a ministra.

Ela acrescentou que vai intervir junto à UE pelas suspeitas levantadas contra os pepinos orgânicos espanhóis. "A imagem da Espanha está sendo danificada, os produtores espanhóis estão sendo prejudicados e o governo espanhol não está preparado para aceitar essa situação", criticou. "Os danos ao setor espanhol são enormes."

A federação de produtores e exportadores de frutas e vegetais da Espanha, Fepex, disse que a crise pode provocar perdas de milhões de euros, com possibilidade de efeito cascata em outros produtos agrícolas do país. "Exportamos quase 200 milhões de euros por semana e acabamos de ter uma semana com uma crise que nos afetou muito negativamente", declarou o diretor da Fepex, José Maria Pozancos, após reunião com Rosa Aguilar.

Em comunicado, a Fepex afirmou que as acusações da Alemanha criaram alarde entre os compradores europeus, paralisaram encomendas de alguns produtos e levaram a cancelamentos de outras compras. A Espanha exportou 9,4 milhões de toneladas de frutas e vegetais em 2010, das quais 24% foram para a Alemanha, segundo a federação. "As consequências econômicas são muito sérias para o setor de frutas e vegetais espanhol."

Aguilar avisou, ainda, que a Espanha vai acionar mecanismos disponíveis da OMC. "Logicamente também vamos exigir uma resposta dentro do cenário da União Europeia pelos prejuízos e também vamos pedir à Alemanha que assuma a sua própria responsabilidade."

Além das 12 mortes na Alemanha, centenas de outras pessoas estão internadas por suspeita de contaminação com a bactéria E.coli, considerada altamente perigosa. Já são 329 casos registrados na Alemanha, 30 na Suécia, 11 na Dinamarca, dois na Áustria, dois na Holanda e três no Reino Unido. As informações são da Dow Jones.

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