Guglielmo Mangiapane/Reuters
Guglielmo Mangiapane/Reuters

Espanha oferece porto para navio com imigrantes rejeitado pela Itália

ONG Open Arms, no entanto, recusou oferta espanhola devido a situação crítica de 107 imigrantes, que precisam de abrigo mais próximo e imediato

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 20h40

ROMA - O governo da Espanha ofereceu ontem o Porto de Algeciras para receber o barco Open Arms, que há dias permanece bloqueado em frente à Ilha de Lampedusa, na Itália, com 107 imigrantes a bordo, que não têm permissão para desembarcar.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tomou a decisão devido à situação de emergência no barco, após duas semanas de navegação, informou o governo, em nota. “A inconcebível resposta das autoridades italianas, e especificamente do seu ministro do Interior, Matteo Salvini, de fechar todos os portos, assim como as dificuldades expostas por outros países do Mediterrâneo Central, levaram a Espanha a liderar novamente a resposta a uma crise humanitária.”

No entanto, um porta-voz da ONG rejeitou a oferta alegando que a situação é de “emergência humanitária” e, após 17 dias no mar, eles não estão em condições de enfrentar uma jornada tão longa. “Não aceitamos a Espanha. Não podemos pôr em perigo a segurança e a integridade física dos imigrantes e da tripulação. Precisamos desembarcar agora”, insistiu. 

A situação desesperadora no navio levou quatro imigrantes a se lançaram à água com coletes salva-vidas e tentarem alcançar a ilha a nado, a mais de um quilômetro de distância. 

A disputa acontece após o desembarque em Lampedusa, no sábado, de 27 menores desacompanhados que estavam no Open Arms. Salvini aceitou com má vontade o pedido do premiê italiano, Giuseppe Conte.

O plano do governo espanhol era de, que após o desembarque, seis países europeus (França, Alemanha, Portugal, Luxemburgo e Romênia, além da Espanha), recebessem os imigrantes. 

O governo escolheu o Porto de Algeciras por considerar que é o mais preparado para a operação. Ali funciona, há um ano, o Centro de Atenção Temporária para Estrangeiros (CATE), com capacidade para atender 600 migrantes, identificando-os antes de encaminhá-los à rede de acolhida.

“Os portos espanhóis não são os mais próximos nem os mais seguros para o ‘Open Arms’, mas neste momento a Espanha é o único país disposto a acolher no âmbito de uma solução europeia”, explica o comunicado do governo.

As fontes consultadas por agências internacionais ressaltam que é a primeira vez que um país se nega a permitir o desembarque de imigrantes apesar de contar com o compromisso de que nenhum deles ficará em seu território. 

Para analistas, a atitude do governo italiano é um sinal da disputa política entre os líderes do Movimento 5 Estrelas e da ultradireitista Liga, que formam a coalizão que governa o país e se desmanchou nos últimos meses. Amanhã, o Parlamento deve convocar eleições antecipadas no país.

/ AFP e EFE

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