Espanha pede que EUA ajudem na extradição de integrantes da ETA que estão em Cuba

Chanceler espanhol pede que medida seja requisito para Washington retirar a ilha de lista de países que apoiam o terrorismo

O Estado de S. Paulo

02 Março 2015 | 16h18

MADRI - A Espanha pediu aos EUA que a extradição de dois integrantes da organização separatista basca ETA que estão em Cuba faça parte das negociações para a retirada da ilha da lista americana de países que amparam o terrorismo. O chanceler espanhol, José Manuel García-Margallo afirmou nesta segunda-feira, 2, que seu país tem conversado com os EUA sobre a questão.

José Ángel Urtiaga, de 58 anos, e José Ignacio Etxarte, de 54, são acusados de cooperar com a ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), supostamente amparados pelo governo venezuelano de Hugo Chávez no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 - vínculo que Caracas sempre negou.

García-Margallo afirmou ter pedido ajuda para Roberta Jacobson, principal diplomata dos EUA para a América Latina. Ela lidera as negociações com Havana para a histórica retomada de relações entre os dois países, iniciada em dezembro do ano passado.

Cuba está na lista americana de países que amparam o terrorismo há 33 anos justamente pelo suposto acobertamento à ETA e às Farc, consideradas organizações terroristas por Washington e pela União Europeia (UE).

Documentação. A relação entre as duas organizações está documentada em e-mails no computador do guerrilheiro colombiano Raúl Reyes e foi descoberta após a morte dele em março de 2008 durante uma operação do Exército da Colômbia.

O juiz espanhol Eloy Velasco abriu uma investigação em 2010 sobre o material encontrado. Segundo ele, Uriarte foi deportado pela França para o Panamá e depois para Cuba, em 1984; Etxarte foi deportado em 1986 para Cabo Verde, de onde partiu para a ilha.

De acordo com um auto judicial de Velasco, os dois integrantes da ETA solicitaram permissão à organização separatista para testar lança-projéteis junto com as Farc em algum ponto da Venezuela. O documento não fala em uma data determinada.

García-Margallo culpa o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero de dificultar as extradições. Recentemente, Zapatero se reuniu com o presidente cubano, Raúl Castro, e pediu a Washington que elimine a ilha da lista sem estabelecer condições.

A ETA é responsável pela morte de mais de 825 pessoas em sua campanha separatista, mas anunciou o cessar-fogo de suas atividades em outubro de 2011. A organização, no entanto, não mostrou a intenção de se desfazer e entregar as armas. /AP

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