Espanha prende ex-agente acusado de vender segredos

García teria passado informações secretas para Rússia

AP, Efe e Reuters, Madri, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

As autoridades espanholas anunciaram ontem a prisão de um ex-agente espanhol acusado de espionar para outro país. Num caso considerado sem precedentes na Espanha, o diretor do Centro Nacional de Inteligência (CNI), Alberto Saiz, quebrou o protocolo e organizou uma rara entrevista coletiva, onde disse que Roberto Flórez García, de 42 anos, vendeu identidades de agentes secretos e dados de inteligência para um país que não quis identificar. A rádio espanhola Ser, citando fontes próprias, disse que se trata da Rússia. García foi preso na segunda-feira em sua casa em Tenerife, nas Ilhas Canárias. A polícia apreendeu ainda vários documentos que estariam relacionados com o caso. Funcionário de médio escalão da Guarda Civil, García cuidava de assuntos internos dos serviços de inteligência. Uma fonte do CNI afirmou que o agente é que teria iniciado o contato com o país não-identificado, a quem ofereceu passar informações secretas. Entre as identidades vendidas pelo espião, entre 2001 e 2004, estariam as dos sete agentes espanhóis mortos numa emboscada no sul do Iraque, em 2003. O CNI não deixou claro, no entanto, se as mortes foram resultado direto da venda das identidades. García, que deixou a Guarda Civil em janeiro de 2004, pode pegar entre 6 e 8 anos de prisão. O diretor do CNI fez questão de ressaltar que a segurança da Espanha, da União Européia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não foi ameaçada pela atividades de García. De acordo com Saiz, as investigações sobre o caso, que começaram em 2005, indicam que o ex-agente não passou informações sobre a luta contra o terrorismo no país. Mesmo assim, o diretor do CNI afirmou que o escândalo mostra que o serviço de inteligência espanhol "fracassou" ao ser incapaz de impedir a venda de informações sigilosas. Saiz disse que o CNI será obrigado a estabelecer novas medidas de segurança e modificar sua estrutura e procedimentos. O jornal espanhol El Pais revelou ontem que García já havia sido alvo de outra polêmica em 2000, quando a imprensa peruana o acusou de infiltrar-se nos partidos de oposição do país para conseguir informações. Na época, o governo espanhol negou ter tentado influenciar as eleições peruanas, vencidas por Alejandro Toledo. LIGAÇÃO RUSSA Nem a Embaixada da Rússia na Espanha nem a chancelaria russa quiseram comentar ontem o suposto envolvimento do Kremlin no caso de espionagem. Uma eventual confirmação da conexão russa poderia piorar ainda mais as relações de Moscou com a Europa. No começo deste mês, a Grã-Bretanha expulsou quatro diplomatas russos após a Rússia recusar-se a extraditar o ex-agente da KGB Andrei Lugovoi, principal acusado do envenenamento do também ex-espião Alexander Litvinenko, morto em Londres em 2006. Moscou respondeu expulsando quatro diplomatas britânicos.

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