REUTERS/Sergio Perez
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Espanha tem 394 mortes por coronavírus em 24 horas e quer ampliar estado de emergência

Primeiro-ministro pede ao Congresso que prorrogue por mais 15 dias a medida; país tem 28.572 casos confirmados da doença

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 12h12

MADRI - Após registrar quase 400 mortos em 24 horas por consequência do novo coronavírus, o governo da Espanha quer ampliar o estado de emergência em mais 15 dias, até 11 de abril. Em pronunciamento neste domingo, 22, o primeiro-ministro Pedro Sánchez pediu ao Congresso que aprove a medida - inicialmente prevista para acabar dia 29.

Até agora, a Espanha tem 28.572 casos confirmados da doença e 1.720 mortos. Nas últimas 24 horas, o número de casos confirmados foi de 3.600 e de mortos, 394.

Durante uma teleconferência com Sánchez, autoridades locais pediram mais material sanitário para combater a pandemia. As autoridades espanholas reconheceram neste domingo que mais de 10% do número total de casos de coronavírus no país correspondem a trabalhadores do setor da saúde, que denunciam a falta de material de proteção há dias.

Médicos

O diretor de emergências sanitárias, Fernando Simón, informou em entrevista coletiva que dos 28.572 positivos para coronavírus no país, 3.475 são profissionais do setor da saúde. "Este é um grande problema para o sistema de saúde. São o grupo populacional de maior risco, isso é óbvio, e temos que assumi-lo", afirmou.

A rápida disseminação do vírus pôs em cheque o sistema de saúde espanhol, que enfrenta uma falta de capacidade de atendimento nas áreas mais afetadas, agravada pelas baixas entre os profissionais da saúde.

O governo anunciou no sábado a distribuição de 500 mil máscaras adicionais para os profissionais e cerca de 800 mil para pacientes. Também disse que está comprando mais oito milhões de máscaras para os profissionais do setor.

Os serviços de emergência estão sobrecarregados na Espanha diante de uma epidemia que cresceu exponencialmente em uma semana.

A equipe médica alerta para uma situação de “caos” no sistema de saúde, com falta de material e de leitos de unidades intensivas que, segundo diversas fontes, estão levando os profissionais de saúde a escolher quais pacientes receberão esses tratamentos.

“Dias piores estão por vir, à medida que o país se aproxima do pico do surto”, alertou o ministro da Saúde, Salvador Illa. A Espanha é agora o terceiro país do mundo com mais casos, o que pode ser explicado por sua maior capacidade de fazer testes.

A situação mais angustiante ocorre na região de Madri, que concentra mais de um terço dos casos. Isso levou a região a solicitar assistência do Exército para instalar um hospital com 500 leitos de UTI e para transportar os cadáveres das vítimas do novo coronavírus. Em um gigantesco pavilhão de congressos em Madri, as autoridades regionais e o Exército estão instalando um hospital com 5.500 leitos e em Barcelona estão preparando hotéis para receber pacientes, medida já aplicada na capital espanhola. 

Triagem de pacientes.

Os profissionais de saúde relatam escassez de material de proteção (luvas, máscaras) para os funcionários, sobrecarregados pelo grande fluxo de pacientes e pela ausência dos médicos e enfermeiros infectados e em quarentena ou pelos que estão em confinamento preventivo.

“Os protocolos não foram pensados para este fluxo de pessoas, falta material, falta pessoal, faltam equipamentos de proteção (...) e tudo isso em conjunto provoca o caos”, declarou Eduardo Fernández, enfermeiro da UTI do hospital público Infanta Sofía e representante do sindicato MATS. “O pior é que o número de profissionais da saúde em quarentena está aumentando e isso vai gerar um problema sério”, completou.

Os respiradores e ventiladores assistidos são limitados. Não há para todos e “os médicos são obrigados a fazer uma seleção sombria”, disse José María Garcés, médico aposentado de 66 anos que retornou ao hospital de Barcelona esta semana.

Em um protocolo que ocupou as manchetes dos jornais espanhóis na sexta-feira, a sociedade de médicos intensivistas pede “que se dê prioridade àqueles que mais beneficiam ou têm a maior expectativa de vida no momento da admissão”.

A população espanhola está submetida a um confinamento quase total: os habitantes só podem sair de casa para comprar produtos de primeira necessidade ou ajudar pessoas dependentes. As fronteiras terrestres com França e Portugal estão fechadas e o Exército foi mobilizado para higienizar portos, aeroportos e estações ferroviárias. / AFP e REUTERS

 

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