Espanha: Tragédia é atribuída a excesso de velocidade

O trem que ontem descarrilou e bateu num muro de contenção ao contornar uma curva ao aproximar-se de Santiago de Compostela estava tão rápido que seus pesados vagões sobrepuseram-se como peças de dominó, segundo relatos de testemunhas e imagens de câmeras de segurança que registraram o momento exato da tragédia que culminou na morte de pelo menos 80 pessoas.

AE, Agência Estado

25 de julho de 2013 | 18h48

Sobreviventes retirados dos destroços e moradores da região disseram a repórteres que o trem parecia estar viajando em alta velocidade em uma curva muito acentuada. Uma análise encomendada pela Associated Press das imagens da tragédia ferroviária ocorrida ontem no noroeste da Espanha também indica que o trem acidentado percorria aquele trecho numa velocidade bastante superior à recomendada.

Uma câmara de segurança filmou o momento exato em que o trem espanhol descarrilou e colidiu em alta velocidade em um muro de concreto. As imagens colocadas no YouTube nesta quinta-feira mostram o trem fazendo uma curva para a esquerda debaixo de um viaduto quando o primeiro vagão do comboio, que vinha logo atrás da locomotiva, parece sair dos trilhos. Em seguida, o vagão leva a locomotiva a bater em uma parede de concreto. Todos os vagões podem ser vistos saindo dos trilhos ao mesmo tempo em que a locomotiva avança em direção à câmera. O vídeo termina quando o trem parece colidir contra o equipamento de filmagem.

Um cálculo da velocidade do trem no momento do impacto utilizando o enquadramento do vídeo e a distância estimada entre duas pilastras indica que o comboio se deslocava a uma velocidade entre 144 e 192 quilômetros por hora. Outro cálculo, feito com base na distância padrão entre os dormentes, sugere uma velocidade entre 156 e 182 quilômetros por hora.

De acordo com as autoridades espanholas, o limite para o trecho onde ocorreu a tragédia de ontem é de 80 quilômetros por hora, o que leva a crer que a tragédia tenha sido realmente provocada pelo excesso de velocidade.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse hoje que duas investigações paralelas foram abertas para apurar as causas da tragédia.

O governo regional da Galícia informou que a polícia local interrogou o maquinista de 52 anos. Ele está internado em um hospital de Santiago de Compostela por causa dos ferimentos sofridos no acidente. Ele foi questionado tanto como testemunha quanto como potencial suspeito, mas as autoridades locais salientaram que também é investigada a possibilidade de falha nos equipamentos de segurança.

O representante do governo central na região da Galícia, Samuel Juarez, disse que não havia "indícios" de crime e que os investigadores estavam trabalhando com a hipótese de que a causa foi acidental.

Segundo o chefe da companhia ferroviária estatal Renfe, Julio Gomez-Pomar Rodriguez, o trem não tinha "problemas técnicos" e havia sido inspecionado poucas horas antes. "O que sabemos é que o trem não havia quaisquer problemas técnicos. O trem tinha passado por uma inspeção naquela mesma manhã", disse Rodriguez disse a emissora de rádio Cadena Cope após descarrilamento de quarta-feira.

Rajoy visitou hoje o local do acidente e depois foi a um hospital da cidade, onde conversou com vítimas e familiares. Natural de Santiago de Compostela, Rajoy decretou três dias de luto pelos mortos. "Para alguém natural de Santiago, como eu, este é o mais triste dos dias", disse ele.

O Ministério de Interior da Espanha elevou a 80 o número de mortos no descarrilamento. Enquanto isso, 94 pessoas feridas na tragédia continuavam internadas nesta quarta-feira. Trinta e um dos 94 feridos encontram-se em condições críticas de saúde, inclusive quatro crianças.

O trem, que levava 218 passageiros, descarrilou antes de chegar a Santiago de Compostela na véspera de um grande festival cristão na cidade. O descarrilamento ocorreu na ferrovia que une Madri a Ferrol, na curva mais fechada do percurso entre as cidades de Ourense e Santiago.

Foram encontrados 73 mortos no local do acidente, disse Maria Pardo Rios, porta-voz do tribunal de justiça da região da Galícia. Sete pessoas não resistiram aos ferimentos e faleceram no hospital.

Este foi o pior acidente de trem na Espanha desde 1972, quando um trem colidiu com um ônibus no sudoeste do país, matando 86 pessoas e ferindo 112.

Autoridades da cidade cancelaram as cerimônias do festival religioso, que atrai anualmente dezenas de milhares de cristãos de todo o mundo.

O rei Juan Carlos e o príncipe Felipe cancelaram seus compromissos públicos desta quinta-feira após o acidente. O presidente de governo da Galícia, onde ocorreu o acidente, Alberto Núñez Feijóo, anunciou sete dias de luto na região. Fontes: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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