Raúl Sanchidrián/Efe
Raúl Sanchidrián/Efe

Espanha vota em meio a maior crise em 40 anos

Pesquisas indicam favoritismo de conservador Mariano Rajoy, beneficiado por desgaste de socialistas com a crise econômica

Anelise Infante, BBC

18 de novembro de 2011 | 08h18

MADRI - A Espanha vai à urnas no domingo para eleições gerais, que, segundo as pesquisas de opinião e prognósticos de especialistas têm um favorito claro: o candidato conservador Mariano Rajoy, que participa pela terceira vez do pleito. A campanha eleitoral foi dominada pela pior crise econômica do país em 40 anos.

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Com a taxa de desemprego mais alta entre as nações industrializadas (22% da população ativa), ameaça de resgate financeiro da União Europeia e risco de recessão, o próximo governo, seja qual for o resultado nas urnas, sabe que o país terá de apertar os cintos.

Mariano Rajoy promete levantar a economia espanhola, mas foi criticado por evitar apresentar suas ideias e por fazer uma campanha passiva, apostando no desgaste provocado pela crise sobre o governo socialista de José Luis Rodriguez Zapatero e seu candidato.

O líder do PP, que evitou as entrevistas coletivas durante a campanha e participou de um único debate com o candidato socialista, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que a solução para sair da crise é "fazer as coisas bem, e o PP fará as coisas bem".

Rajoy indicou que pretende introduzir reformas trabalhistas, controlar o deficit público e apoiar pequenos empresários.

Mas a falta de uma proposta ampla e clara gerou críticas dentro e fora da Espanha. A revista britânica The Economist o chamou em uma legenda de foto de "o homem que não tem nada a dizer", e vários jornalistas de economia espanhola lhe definem como "o mudinho".

Desgaste dos socialistas

Para analistas, o desgaste dos socialistas durante a crise foi tamanho que basta a Rajoy não entrar em polêmicas e deixar que a insatisfação generalizada dos eleitores para chegar ao poder.

Para José Torres, professor de Economia Aplicada da Universidade de Sevilha, "todos damos por certo que Rajoy será governante por acidente".

"Não sabemos se o PP tem um programa econômico sólido, mas em casos assim as receitas são muito conhecidas. Falará de negociação coletiva no princípio, logo anunciará reformas fiscais. O ambiente na zona euro é muito volátil e obriga (o governo) a adotar medidas pragmáticas. Teremos austeridade em qualquer caso", disse Torres à BBC Brasil.

Os socialistas tentam evitar uma derrota por uma diferença muito grande. Na prévia de maio, nas eleições para os governos regionais, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), partido que dirige a Espanha há quase oito anos, teve o pior resultado de sua histíoria.

O PP, dos conservadores, passou a governar em 11 das 17 comunidades autônomas (equivalentes aos Estados brasileiros).

Abstenção

A estratégia de campanha do PSOE foi isolar o primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, que avisou que abandonará a política depois das eleições e preferia receber todas as críticas pela crise, para preservar ao máximo o candidato de seu partido, Alfredo Pérez Rubalcaba

O veterano Rubalcaba, ex-ministro no governo de Felipe González (1982-1996), foi escolhido em julho para a candidatura e tenta se esquivar da herança da crise com propostas como criar um imposto para ricos, eliminar cargos públicos e a introdução de incentivos à criação de pequenas empresas com isenções fiscais.

Segundo os analistas, o maior problema dos socialistas é o alto índice de eleitores que dizem optar pela abstenção na hora do voto. Ao contrário do Partido Popular, que confia no voto de seu eleitor tradicional, o PSOE teme que seus eleitores habituais, desencantados, optem por não votar.

"Há um setor de eleitores do PSOE insatisfeitos, que não entendem as respostas do partido durante a crise e sua falta de reação depois da grande derrota nas eleições de maio", disse à BBC Brasil Fernando Vallespín, professor de Ciência Política da Universidade Autônoma de Madri .

Para Vallespín, o partido já assumiu a derrota e luta para "mobilizar os seus militantes mais fiéis já pensando na renovação da liderança depois de domingo".

Diferença

Pelo que indicam as pesquisa de opinião, o PP deve obter maioria absoluta no Parlamento.

A última pesquisa do estatal Centro de Investigações Sociológicas (CIS) prevê que os conservadores elejam 195 dos 350 deputados do Parlamento. Os socialistas chegariam a 121, seu pior resultado desde 1977.

A estimativa da empresa de pesquisas Metroscopia para o jornal El País dá 44,8% ao PP e 30% ao PSOE.

Apesar da ampla margem de intenção de votos, o candidato conservador não provoca muito entusiasmo entre a população. Segundo a pesquisa do CIS, Rajoy inspira "pouca" ou "nenhuma" confiança em 71,3% dos entrevistados. Quase alcançando o primeiro-ministro Zapatero, que supera os 80%.

 

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