Espanhóis criticam o governo na internet após ebola

O primeiro contágio pelo vírus ebola fora da África, que resultou na internação de uma auxiliar de enfermagem em Madri, tem gerado diversas críticas na internet por parte dos espanhóis. Teresa Romero, de 44 anos, foi contagiada enquanto tratava um missionário com a doença e está no hospital desde segunda-feira, em estado grave.

JÉSSICA FERREIRA, ESPECIAL PARA AGÊNCIA ESTADO, Estadão Conteúdo

09 de outubro de 2014 | 18h13

No Twitter, os comentários se dividem entre medo de sair de casa e críticas ao governo e à própria população. "Três mil pessoas morrem de ebola e todos [ficam] tranquilos, chega à Espanha e começa o pânico. Mas claro, ''apenas'' eram africanos", criticou a usuária @silviavidal96.

"Estou um pouco aterrorizado pelo tema do ebola, aqui na Espanha até agora era uma palavra tabu, mas agora está causando pânico", comentou @AGSVCF. "Que medo, já há contágios do ebola na Espanha. Estou a ponto de não sair de casa", escreveu @sanjoseva.

A ministra da Saúde da Espanha, Ana Mato, tem sido um dos principais alvos de críticas dos usuários do microblog. "Preocupa mais que o ebola chegou à Espanha ou que Ana Mato seja a maior autoridade para solucionar a crise?", questionou @rr_vega.

De acordo com matéria divulgada pelo jornal El País, o médico da primeira equipe a tratar da auxiliar de enfermagem afirmou que o processo envolveu diversos riscos de infecção. Ele precisou tirar e colocar o uniforme de proteção cerca de 13 vezes e usar uma bata curta nas mangas. O médico também disse ter descoberto o resultado positivo da análise do vírus pelo noticiário, não pela autoridade competente.

Em comentário na página do El País no Facebook, o usuário José Manuel Romera Esteban ironizou: "Diz o conselheiro de saúde de Madri ''quem manda o médico ser tão alto'', um médico de saúde pública tem que ser baixo e os da saúde privada, altos, para isso que tratam as pessoas de classe alta".

Outros usuários sugerem perguntar à ministra quantos mortos e contagiados é necessário para que se demita, como fez Juan Aguerre. "Me encantou o ''spanish way of thinking'': acusamos a enfermeira, depois matamos seu cão e pronto, assunto resolvido. É de um conto de fadas", disse Glorieta Fuentes-Zúñiga.

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