Espanhóis membros de ongs são obrigados a deixar a Colômbia

Três espanhóis que participaram dos protestos contra a política econômica do presidente Alvaro Uribe serão obrigados a deixar o país nas próximas horas, segundo informações da polícia secreta colombiana. Carlos Enjuto Domínguez, Daniel Bustos Gutiérrez e Ana Andrés Ablanedo afirmaram ser membros de organizações não-governamentais (ongs) e terem vistos apenas como turistas. Enjuto foi detido no município de Icononzo, a 60 quilômetros ao sul de Bogotá, e assegurou pertencer à Organização Solidária para a Ásia, África e América Latina. Perante as autoridades, ele se identificou como observador internacional do protesto, intermediário entre os camponeses e as autoridades e a imprensa.O diretor de verificações migratórias do Departamento Administrativo de Segurança (DAS), Manuel Sáenz, assegurou que Enjuto será "expulso" do país por "alterar a ordem pública e provocar distúrbios". Quanto a Bustos Gutiérrez e Andrés Ablanedo, que foram detidos pelos fuzileiros navais no município de Chalán, a 530 quilômetros a noroeste de Bogotá, eles serão "deportados". A expulsão é uma medida muito mais enérgica do que a deportação, porque não permite retorno ao país durante cinco anos. Segundo a Infantaria da Marinha, no momento de sua captura, Bustos e Andrés Ablanedo estavam incitando um grupo de habitantes locais a bloquear uma importante rodovia do departamento de Sucre. Alguns organismos humanitários disseram que ambos, membros das organizações Sol de Paz Pachacuti e Sol de Paz de Asturias, respectivamente, acompanhavam os camponeses na greve nacional.Sáenz disse aos jornalistas que os dois espanhóis serão deportados por realizarem atividades diferentes daquelas para as quais receberam visto - as de turismo. "O governo não tolera que estrangeiros intervenham em assuntos de ordem pública do país", enfatizou o ministro do Interior, Fernando Londoño, ao referir-se ao caso dos três estrangeiros. Ao mesmo tempo, as autoridades colombianas anunciaram hoje que os funcionários do Judiciário e da Aeronáutica Civil que organizaram e participaram da greve nacional de segunda-feira serão sancionados. Para tanto, o ministério do Trabalho deverá expedir esta semana, levando em conta informes de seus inspetores, as resoluções com as sanções correspondentes. No caso dos trabalhadores estatais, o ministro do Interior assinalou que a Constituição colombiana proíbe a greve dos funcionários dos dois setores, já que tanto a Aeronáutica Civil como o Judiciário são serviços públicos, e o não- cumprimento das funções diárias constitui "uma inaceitável agressão contra os usuários".

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