CRISTINA QUICLER / AFP
CRISTINA QUICLER / AFP

Espanhóis protestam contra o governo por gestão da pandemia no país

Principais cidades da nação registraram atos contra o primeiro-ministro Pedro Sánchez

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2020 | 14h41

MADRI - Espanhóis protestaram neste sábado, 23, em carreatas nas grandes cidades da do país contra gestão da pandemia do novo coronavírus pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

Em Madri, carros e motocicletas com bandeiras espanholas, circulando lentamente, percorreram ao meio-dia as grandes avenidas no centro da capital, com manifestantes tocando a buzina e gritando "Sánchez renuncie!" e também "Liberdade!".

As manifestações foram convocadas pelo partido de extrema direita Vox em cerca de 50 cidades. Houve atos em Barcelona, Sevilha, Málaga, Valência, Córdoba e Bilbao. O partido, criado em 2013, é hoje a terceira força política do Parlamento espanhol. 

O governo "não conseguiu proteger seu povo, seus idosos e seus trabalhadores da saúde", denunciou o líder do Vox, Santiago Abascal, em um ônibus de dois andares em Madri.  Ele também acusou o Executivo de ser uma "ameaça à liberdade da Espanha". 

"Foi uma gestão tardia no início (da pandemia); durante, foi uma gestão desastrosa. E, finalmente, acho que esse governo vai nos colocar em uma crise econômica depois de tudo o que aconteceu", disse Oscar de Lolmo, um engenheiro de 51 anos de idade, usando um relógio decorado com uma bandeira espanhola. 

O primeiro-ministro enfrenta panelaços em várias cidades há vários dias. Os manifestantes acusam o governo de limitar as liberdades individuais e de incompetência diante de uma pandemia que deixou quase 28.600 mortos na Espanha. Após um intenso debate, os deputados aprovaram na quarta-feira uma extensão do estado de alarme até 6 de junho. 

O governo, que não possui maioria absoluta na Câmara, considera essencial manter essa medida excepcional para continuar limitando a liberdade de movimento durante o desconfinamento gradual até o final de junho.

"Acho que o governo de Pedro Sánchez mentiu para nós, acho que brincou com a saúde dos espanhóis", disse Marina Samber, 51 anos, que usava uma máscara verde, cor do partido Vox. 

"Eles se tornaram assassinos de 40 mil pessoas, porque se não fosse o governo de Sánchez, isso não teria acontecido, haveria muito menos mortes", afirmou Carlos De Lara, um comerciante de 43 anos que foi se manifestar com seu pai de 68 anos, convencidos de que o balanço oficial de vítimas está subestimado.

Muitos manifestantes criticam o rigoroso confinamento em vigor em grande parte da Espanha, principalmente em Madri e Barcelona, onde as medidas só começarão a ser levantadas na segunda-feira.

"Médias e pequenas empresas estão afundando", disse Ignacio González, 23 anos, estudante de engenharia carregando uma grande bandeira espanhola em um carro com dois amigos. A medida nas duas cidades mais populosas da Espanha - e as mais atingidas pela pandemia - segue o que metade do país já havia feito há duas semanas.  / AFP 

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