Especialista considera chefe dos inspetores da ONU "muito

Consultor da Fundação Européia deEstudos Estratégicos e especialista em questões árabes, oiraniano Amir Taheri, em entrevista à Agência Estado em Paris,pôs em dúvida a capacidade de Hans Blix, chefe dos inspetores daONU para o desarmamento do Iraque, de desmascarar o esquema de"engodo, fraude e dissimulação que Saddam Hussein vai montarpara frustrar as inspeções". "Blix é um homem demasiado crédulo, para não dizeringênuo, muito mole, não tem a força requerida para enfrentaruma missão duríssima como esta e, mesmo se tivesse, não autilizaria porque, aos 74 anos, seu projeto é deixar tudo comoestá no Iraque e com isto ganhar o Prêmio Nobel da Paz, sem omenor receio de estar cometendo injustiça", afima Amir. No seu entender, o chefe dos inspetores já deu aprimeira "mostra de fraqueza" ao afirmar que não promoverá aretirada de cientistas do Iraque para que estes, conforme otexto da resolução da ONU, possam testemunhar livremente sobresuas atividades no setor de armamento. "Blix diz que vaiinterrogá-los no Iraque mesmo, em presença de representantes dogoverno de Saddam, o que significará silêncio absoluto, poisninguém abrirá a boca nessas condições", assegura. O especialista iraniano, igualmente consultor doParlamento Europeu, sublinha que a maioria dos membros doConselho de Segurança preferia confiar o comando das inspeções aRolf Ekeus, responsável pela primeira missão de fiscalização noIraque nos anos 90, mas a Rússia vetou seu nome "para o alíviode Saddam, partidário de Blix". A seu ver, "a este erro de indicação se soma aagravante de que o Iraque não aprovou expressamente, por escrito a resolução da ONU". Ele explica: "O governo de Bagdá dizapenas, na resposta à ONU sobre o documento, que iria ´lidar´com ele, enquanto a Assembléia Nacional do Iraque rejeitou-opública e formalmente. Na verdade, só o embaixador iraquiano naONU, Mohammed Al-Duri, aprovou verbalmente a resolução, mas isto na engrenagem de poder de Saddam, não tem o menor valor." Para respaldar seu ceticismo nas aptidões do chefe dosinspetores da ONU, Amir lembra o fato de que, como diretor-geralda Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Hans Blixhavia, em agosto de 95 - após realizar investigações no Iraque -apresentado relatório à ONU garantindo não estar o regime deSaddam desenvolvendo nenhum projeto de armamento nuclear. Etestemunha: "Pouco antes de Blix apresentar o relatório,encontrei-me com ele e, já sabendo por alto do teor do documento disse-lhe, com franqueza, que ele era um homem demasiado bom e,portanto, inapto a tratar com o regime de um tirano que mandoumatar o genro e os próprios netos dissidentes". Conforme o relato do especialista iraniano, o parecer deBlix inocentando Bagdá do "pecado nuclear" iria ser desmentidologo depois com as revelações de Hussein Kamel, genro de Saddame ministro do Armamento até romper com o regime e refugiar-se noexterior. "Ficou-se então sabendo do avanço espetacular doIraque no seus projetos nucleares para fins militares, assimcomo de armas químicas e biológicas, que iriam ser desmanteladosem 1998 pelos inspetores da ONU". Em Paris para o lançamento de seu novo livro sobre aquestão iraquiana, "Les Dessous des Cartes"("Por Baixo dasCartas", Editora Complexe), Amir Taheri, que vive entre aEuropa e os EUA, receia que Saddam pregue uma peça a Hans Blixno dia 8, data marcada pela ONU para Bagdá fornecer a listacompleta de seus programas de armas de destruição em massa. "A peça seria o envio, à guisa de lista, de um caminhãocarregado de papéis velhos em árabe, ucraciano e russo para queo pobre Blix se divirta na tradução, enquanto o essencial dosprogramas militares iraquianos estará enterrado e camuflado nosquatro cantos do país."

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