The Capital Gazette / Divulgação
The Capital Gazette / Divulgação

Especialista em Segurança diz que seria difícil evitar ataque a um jornal nos EUA

Jason Reich trabalha em uma organização formada por veículos de mídia e afirma que muitas redações americanas sofrem com ameaças

Alessandra Monnerat, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2018 | 18h30

Jason Reich é especialista em Segurança na ACOS Alliance, uma organização internacional formada por veículos de mídia em 2015 para a proteção de jornalistas após ataques contra freelancers na Síria. 

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Nesta sexta-feira, 29, durante o 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Reich comentou sobre o assédio online contra repórteres e medidas de segurança para redações. Em particular, o especialista falou sobre o ataque da quinta-feira 28 à redação do jornal The Capital Gazette, que deixou cinco mortos. 

O que o jornal poderia ter feito em questão de proteção?

É uma pergunta difícil. Vale notar que esse assédio começou em 2012, e é complicado manter uma proteção por seis anos. Vale lembrar do caso do atirador de Virginia (que matou jornalistas de uma TV local em 2015), quando uma repórter foi baleada ao vivo. Ele tinha sido demitido pela empresa e eles tinham preocupação com a saúde mental dele, contrataram segurança armada para a redação e mantiveram por um ano. Como nada aconteceu, eles retiraram a proteção. Três anos depois, ocorreu o ataque. Observando as práticas das redações, muito pouco poderia ter sido feito. 

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A redação do Capital Gazette estava preparada para um ataque?

É difícil dizer. Os funcionários do jornal deixaram claro que esse homem era uma ameaça. Eles até avisaram a polícia sobre isso. Não acho que tomar outros passos seria razoável. É fácil olhar para trás e falar: eles deveriam ter colocado vidros à prova de balas. Mas vale lembrar que o prédio do Charlie Hebdo (jornal francês atacado em 2015) tinha um policial armado e vidros à prova de balas e isso não protegeu as pessoas. O mais importante agora é pensar na forma com que a saúde mental e o porte de armas são tratados nos Estados Unidos. 

Esse tipo de ameaça contra redações é comum nos EUA?

Com certeza. Qualquer redação de qualquer tamanho dos EUA lida com isso o tempo todo. Pessoas como esse atirador frequentemente mandam mensagens desse tipo, que parecem não fazer muito sentido. E não é só sobre eleições ou política, às vezes são assuntos locais. Muitas redações americanas não estão preparadas porque não têm verba. Uma das coisas que tentamos fazer com o ACOS Alliance é ajudar essas redações pequenas. Ter uma boa relação com a polícia e com a vizinhança do jornal são precauções que podem ser tomadas.   

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