Especialista não acredita que Saddam aceitará exílio

É com ceticismo que o presidente do Observatório dos Países Árabes de Paris, Antoine Basbous, encara a possibilidade de Saddam Houssein aceitar o exílio para ele, seus familiares e colaboradores mais próximos a fim de evitar a guerra.A proposta está sendo articulada desde a semana passada pelos dirigentes de Turquia, Arábia Saudita e Egito com o apoio resoluto dos Estados Unidos, mas as primeiras reações de Bagdáprenunciam a recusa do ditador iraquiano a tal saída para a crise.Como explicou Basbous, "o perfil psicológico de Saddam não favorece a hipótese da renúncia, partida para umexílio ou qualquer outra alternativa que o prive do exercício absoluto do poder". E lembrou: "Quando o xá do Irã se afastoudo poder sob a pressão do movimento xiita nos anos 70, o ditador iraquiano tratou-o de ´covarde e traidor´. Saddam disse então aos seus generais o que continua repetindo até hoje se for confrontado a uma situação idêntica: ´Nesse caso, a última bala de meu revolver eu reservarei para mim.´"Portanto, acrescentou o especialista francês, "o ditador iraquiano vai se abater e, em desespero de causa, se suicidará, como ele costuma anunciar."Autor de vários livros sobre o mundo muçulmano, como "A Arábia Saudita em Questão", lançado agora em Paris, Basbousavançou outro obstáculo que considera incontornável para a eventual aceitação do exílio pelo chefe do regime de Bagdá: "Saddam não faz confiança a ninguém que não seja de sua estritaintimidade. Seus deslocamentos os mais banais, o moral dos homens que formam seu escudo de segurança mais próximo, a taça de chá e o prato que lhe vão ser servidos, a roupa que ele vaivestir, em suma, todos os gestos de seu cotidiano são controlados meticulosamente por ele, pelos filhos e pelos guarda-costas recrutados também no seio de sua família."No entender do presidente do Observatório dos Países Árabes, "vivendo em Bagdá em circuito blindado e ultrafechado, Saddamnão aceitará jamais o exílio, a idéia de ser transferido para outro país onde ele não controlará sua guarda, sua cozinha, os próprios passos".Além do mais, conforme o especialista, Saddam poderá ficará sujeito - como já o alertaram - a um pedido de extradição peloTribunal Penal Internacional, para ser julgado da mesma maneiraque o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.

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