Especialista pede fim da pena de morte por corrupção na China

Wang Minggao, um dos principais pesquisadores do fenômeno da corrupção na China, pediu que crimes como suborno e malversação deixem de ser punidos com a pena de morte no país, informou nesta sexta-feira a edição eletrônica do jornal China Daily. Wang, que estuda a corrupção nas altas instâncias chinesas, afirma que "levando-se em conta os dados da década passada, não é prático executar ocupantes de altos cargos". As execuções de políticos culpados de corrupção cresceram nos últimos 10 anos na China, desde que o Governo de Jiang Zemin lançou a campanha "Yanda" ("Bater duro"). Segundo os analistas, os líderes chineses temem que casos de corrupção, cada vez mais noticiados pela imprensa, minem acredibilidade do governo comunista. A pena de morte só é aplicada nos casos envolvendo altas somas. Em muitas ocasiões, a sentença é suspensa durante anos, podendo ser comutada por prisão perpétua em caso de bom comportamento. Entre os casos mais famosos dos últimos anos está a condenação à prisão perpétua, em 2005, do ex-ministro de Propriedade e Recursos Naturais, Tian Fengshan. Em 2000, Cheng Kejie, ex-vice-presidente da Assembléia Nacional Popular, foi executado por aceitar mais de US$ 5 milhões em subornos. A Justiça chinesa já iniciou uma reforma para diminuir o número de penas de morte. Todas as sentenças capitais serão centralizadasna Corte Suprema, para evitar o uso arbitrário das execuções nos tribunais locais e provinciais. A China se nega a dar números completos. Mas organizações como a Anistia Internacional dizem que o país é responsável por mais de 70% das execuções por ordem judicial no mundo todo, cerca de 8 mil por ano.

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