Especialista prevê queda de Bagdá em 3 semanas

Os invasores poderão levar de duas a três semanas para chegar a Bagdá, se não houver nenhuma grande surpresa desde o início da guerra, disse nesta terça-feira uma fonte com grande experiência em assuntos militares. Essa fonte, que pediu à imprensa que não a identificasse, descreveu sobre um grande mapa como poderá desenvolver-se uma campanha no Iraque.Se for necessário, as tropas americanas poderão invadir a Síria, para eliminar qualquer resistência adicional à ocupação do território iraquiano (há suspeitas de que o regime do Iraque tenha transferido armas de destruição em massa para a Síria com a ajuda de simpatizantes no país).A exposição, uma das grandes atrações do encontro do Fórum Econômico Mundial, foi programada para ocorrer um dia depois da apresentação, ao Conselho de Segurança da ONU, do relatório sobre a inspeção de armas no Iraque. Numa pesquisa realizada no início do encontro, na semana passada, 80% responderam que haverá guerra e 26% afirmaram que poderá durar vários meses. O risco do conflito foi um tema constante nas discussões do Fórum.As forças invasoras, com tropas americanas constituindo entre 80% e 90% do contingente, avançarão basicamente do sul para o norte, mesmo que haja apoio militar a partir das fronteiras sententrionais do país.As ações deverão partir de bases no Kuwait, na Arábia Saudita, em Omã, no Catar e na Somália. O possível emprego de armas biológicas pelos iraquianos será o risco mais importante para os invasores, segundo o especialista. As forças dos Estados Unidos estão preparadas para enfrentar o uso de armas químicas. Armas biológicas podem ser muito mais perigosas, segundo o especialista, mas os soldados deverão receber imunização contra alguns tipos de vírus. Foi mencionada, também, a possibilidade de que os invasores tenham de enfrentar tropas suicidas.O primeiro ataque biológico poderá ocorrer no começo da invasão, enquanto as tropas americanas e aliadas se estiverem dirigindo para An Nasiriyah, através de uma região desértica. Se ocorrer a partir daí, atingirá zonas mais densamente povoadas e poderá resultar em grande número de mortes de civis. O presidente Saddam Hussein, disse o especialista, pode muito aceitar esse risco e deixar que os invasores sejam culpados pelas mortes.Estarão envolvidos na luta pelo menos 150 mil soldados americanos e 30 mil britânicos, além de prováveis contingentes da Austrália, da Turquia e talvez de outros países. As operações deverão começar com alguns dias de bombardeios aéreos. Quanto mais prolongados, maior a destruição, mas também crescerá, nesse intervalo, o risco de que as forças iraquianas possam recorrer a armas de destruição em massa.O primeiro problema do comando será decidir o momento em que deverão começar as operações terrestres. Quando soldados começarem a se mover, terá havido pelo menos cinco ou seis dias de atividades aéreas.As primeiras operações deverão incluir um ataque a Basra e uma grande movimentação no rumo de Na Nasiriyah. Na invasão do começo de 1991, segundo o especialista, os únicos tanques americanos destruídos, na fase inicial, foram os atingidos por engano por eles mesmos. Não deverá haver resistência importante nessa fase, segundo o expositor, exceto se empregarem armas biológicas.Se nada sair errado, o maior problema será o logístico. Será preciso reabastecer cada tanque a cada seis horas com 100 galões de diesel. Cada caminhão-tanque terá de retornar ao sul para ser carregado e, em seguida, levar o combustível aos blindados.Inicialmente, poderá haver de 30 mil a 40 mil veículos movendo-se no deserto, incluídos tanques, outros tipos de blindados, peças de artilharia e veículos de abastecimento. As colunas deverão mover-se a uma velocidade entre 20 e 3 quilômetros horários. A resistência, insistiu o especialista, não deverá ser o grande problema inicial. "Poderemos cuidar disso."Não se sabe, segundo o expositor, em que momento surgirá a Guarda Republicana, considerada a tropa de elite das forças iraquianas, a mais poderosa e mais vinculada, por interesses políticos, ao grupo do poder. O avanço das tropas invasoras deverá ser auxiliado por espiões e por soldados especialmente treinados, que participarão de ataques de helicópteros e poderão ser lançados de paraquedas em áreas estratégicas.Se houver resistência em Bagdá ou nas vizinhanças, disse, "iremos pelo manual, rua por rua, casa por casa, quarto por quarto". O "manual" também estabelece regras para operações aéreas: nas áreas de conflito, qualquer veículo em movimento poderá ser considerado militar e, portanto, uma "caça legítima" para os atacantes.A guerra incluirá o cumprimento de três tarefas: 1) ocupar o território e destruir as forças opositoras; 2) eliminar a capacidade de uso de armas de destruição em massa; 3) criar ambiente seguro para a democratização e a reconstrução do país.Os invasores tentarão preservar os campos de petróleo e a infra-estrutura, disse o especialista. Modernos sistemas de bombardeio, já usados no Afeganistão, permitem operações a grande altitude, acima do alcance das armas antiaéreas, e com grande precisão em relação aos alvos, acrescentou. Ele não mencionou a destruição de ambulâncias, templos e hospitais atingidos no Afeganistão e noutras áreas em que têm operado as forças americanas. Apenas garantiu, com aparente convicção, que será possível poupar civis, monumentos culturais, infra-estrutura e campos petrolíferos.O Irã, segundo afirmou, não é visto como problema. Precisará de dois a cinco anos para desenvolver armamento nuclear e, no momento, sua melhor escolha política e econômica é relacionar-se bem com os EUA. Pretende-se, ainda, preservar o status quo na região curda, na fronteira norte.Quanto tempo a ocupação poderá durar? Não bastará impor a ordem no país, reprimir os movimentos de vingança contra os antigos governantes e seus aliados políticos e iniciar a mudança institucional e a reconstrução.Será preciso, segundo o especialista, resolver de uma vez o problema das armas de destruição em massa. Para isso, será preciso encontrá-las. Isso poderá levar alguns dias, algumas semanas, um semestre - quem sabe? Para o especialista, afinal, não é certo que os invasores possam ter muito mais sucesso, a curto prazo, do que os inspetores da ONU.

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