Especialistas dizem que Arafat pode ter sido envenenado

Especialistas suíços em radiação confirmaram que encontraram traços de polônio na roupa usado por Yasser Arafat, o que "sustenta a possibilidade" do que o líder palestino foi envenenado.

AE, Agência Estado

14 de outubro de 2013 | 10h17

Em um relatório publicado pelo The Lancet no fim de semana, a equipe ofereceu detalhes científicos para relatos da mídia feitos em 2012 de que o havia sido encontrado polônio nos pertences de Arafat.

Arafat morreu na França em 11 de novembro de 2004, com 75 anos, mas os médicos não conseguiram especificar a causa da morte. Na época, não foi realizada nenhuma autópsia, de acordo com os pedidos da viúva.

Os restos mortais de líder palestino foram exumados em novembro de 2012 e foram retiradas amostras, em parte para investigar se ele havia sido envenenado, uma suspeita que cresceu após o assassinato do ex-espião russo Alexander Litvinenko em 2006.

A investigação ainda está em andamento e está sendo conduzida separadamente por equipes na França, Suíça e Rússia.

Na publicação do Lancet, oito cientistas que estão trabalhando no Instituto de Física de Radiação e do Centro Universitário de Medicina Legal em Lausanne disseram que conduziram testes em 75 amostras.

Trinta e oito amostras vieram de bens de Arafat e foram fornecidas pela viúva do líder palestino, Suha Arafat.

Várias amostras que continham manchas de fluidos corporais (sangue e urina) apontaram níveis mais altos de atividade de polônio 210 do que as amostras de referência, disseram. "Essas descobertas apoiam a possibilidade do envenenamento de Arafat com polônio 210".

Além disso, aponta a publicação, os sintomas clínicos de Arafat "não puderam descartar" o envenenamento por polônio. Isso inclui náusea, vomito, fatiga e dores abdominais.

Os autores reconhecem, no entanto, que Arafat não mostrou perda de cabelo ou diminuição da atividade da medula óssea - sintomas que ocorrem normalmente no envenenamento por radiação.

A chefe de comunicações do Centro Hospitalar Universitário de Vaud, na Suíça, que está no comando do instituto em Lausanne, Beatrice Schaad, disse que o relatório do caso foi a versão "científica" do que foi dado pela mídia. "Não há nada de novo em comparação com o que foi dito" em 2012, disse à AFP. "Ainda não há uma conclusão de que ele foi envenenado". Fonte: Dow Jones Newswires.

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