Especialistas dizem que Egito deve decidir seu futuro

Em Davos, especialistas dizem que a comunidade internacional deveria agir com cautela e deixar os egípcios decidirem o próprio futuro. O ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo, que agora dirige o Centro de Estudos da Globalização em Yale, afirmou que um dos princípios centrais do direito internacional "é não intervir nos assuntos internos de outros países, e eu acredito que esta regra é muito tênue".

AE-AP, Agência Estado

30 de janeiro de 2011 | 09h15

O ex-vice-secretário-geral das Nações Unidas e que agora é presidente de relações globais da britânica FTI Consulting, Lord Mark Malloch-Brown, disse que a ONU já havia registrado, há quase dez anos, no Relatório de Desenvolvimento Árabe, as desigualdades e falta de espaço político contra os quais os manifestantes no Egito estão protestando. "É um momento extraordinário no Egito", disse, no sábado, mas acrescentou que "não deveria haver críticas frívolas imediatas de Davos". "É preciso esperar que resulte em um governo muito mais inclusivo. Mas como eles chegarão lá, quando e se o governo mudar, deve ser uma questão dos egípcios", acrescentou.

O ex-embaixador de Cingapura na ONU e atual reitor da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew, Kishore Mahbubani, lembrou aos participantes que assistiam a um painel no Fórum Econômico de Davos que "estes tipos de revoluções de rua podem conduzir a resultados negativos". "É por esta razão que você descobrirá que o tipo de entusiasmo na mídia Ocidental sobre estes eventos não é transportado para outros lugares - porque todos pensam: Cuidado com o que você deseja. Você pode obter algo pior", afirmou.

Mahbubani citou o exemplo da revolução iraniana de 1979, que derrubou o xá favorável ao Ocidente e instalou o aiatolá Ruhollah Khomeini, que estabeleceu o governo islâmico. "Todos dizem que maravilhoso. Há uma revolução nas ruas", acrescentou. "Você se livra do xá e tem Khomeini. O que é melhor? Imagine se você estiver em Israel hoje", acrescentou. "O maior pesadelo geopolítico para Israel é ter o mais populoso país árabe na vizinhança com instabilidade política. Acredite em mim, muda todo o equilíbrio no Oriente Médio. Faz tudo o mais parecer muito simples, porque, de repente, nós retrocedemos 30 anos. Então tenha cuidado com o que deseja", afirmou Mahbubani.

Zedillo afirmou que ele, Malloch-Brown e Mahbubani são todos "amigos muito próximos" de Mohamed ElBaradei, o líder egípcio Nobel da Paz, que supostamente está em prisão domiciliar. "Aqui estamos nós três recomendando prudência, deixe a situação se tornar mais clara - e nós somos amigos da oposição e estamos dizendo seja prudente", afirmou.

O diretor de um centro de pesquisa econômica da China, Li Daokui, disse que estava "extremamente cauteloso sobre o que pode acontecer". As informações são da Associated Press.

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