Especialistas dos EUA visitam Cuba para avaliar embargo

Investigação visava concluir quais efeitos uma redução às restrições de venda de produtos agrícolas e no setor turístico à Cuba traria à economia norte-americana

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

A Comissão de Comércio Internacional dos EUA concluiu nesta sexta-feira, 15, uma visita de cinco dias a Cuba realizada para avaliar como as autoridades comunistas da ilha reagiriam se as restrições norte-americanos nos setores agrícola e de viagem fossem diminuídas. A Comissão do Senado sobre Assuntos Financeiros exigiu que o governo realizasse uma investigação independente a respeito dos efeitos para a economia norte-americana de uma diminuição das restrições à venda, pelos EUA, de produtos agrícolas para Cuba. O economista Jonathan Coleman, da Comissão de Comércio Internacional, disse à Reuters ter sido proveitoso "conversar com os importadores de comida, autoridades da área de turismo e outras pessoas a respeito de uma diminuição das restrições que levasse à importação, pela ilha, de produtos agrícolas norte-americanos e de como o pais lidaria com eventual chegada de milhões de turistas dos EUA". A exportação de produtos agrícolas dos EUA para Cuba somou US$ 337 milhões no ano passado - essas vendas puderam ser realizadas devido a um emenda feita em 2000 na lei que proíbe manter relações comerciais com a ilha caribenha. Em 2006, Cuba importou US$ 1,8 bilhão em produtos agrícolas. A venda de produtos norte-americanos parou de crescer desde que o atual governo dos EUA, comandado pelo presidente George W. Bush, tornou as regulamentações mais rígidas, dois anos atrás. Autoridades cubanas afirmam que as normas atuais limitam sua capacidade de comprar alimentos dos EUA. E que a revogação das restrições ao turismo lhes daria dinheiro para comprar mais artigos, atendendo assim às necessidades dos eventuais turistas norte-americanos. "Queremos ouvir todos os lados da história. Já conversamos com mais de 40 especialistas, exportadores e importantes agências do governo nos EUA. Então, ouvir os cubanos faz todo sentido", disse Coleman, um dos dois especialistas da Comissão de Comércio Internacional que participaram da viagem. Os políticos ligados ao setor agrícola dos EUA, os grupos de agronegócio e os produtores agrícolas pressionam o governo para tornar menos rígida as regulamentações. Segundo esses setores, as leis atuais fazem com que os norte-americanos percam negócios e empregos para o Canadá, a Argentina, a China e o Vietnã, entre outros. Como o Partido Democrata (oposição) conquistou o controle do Congresso, os que se opõem ao embargo vêm sugerindo a adoção de várias leis que acabariam por diminuir as restrições ao comércio e ao turismo. O relatório da Comissão do Comércio Internacional deve ser divulgado na metade de julho e não no final de junho como divulgado inicialmente, afirmou Coleman.

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