REUTERS/Remo Casilli
REUTERS/Remo Casilli

Especialistas europeus recomendam cautela sobre nova cepa de covid-19 encontrada no Reino Unido

Cientistas afirmam que ainda falta mais informações sobre a nova mutação e o quão rápido ela se espalha

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2020 | 10h08

Especialistas europeus pedem cautela em relação à nova cepa de covid-19 descoberta no Reino Unido, dizendo que ainda não há muitas informações sobre a nova mutação e o quão rápido ela se espalha.

Depois que 18 países europeus suspenderam as viagens da Grã-Bretanha ou impuseram requisitos de quarentena mais rígidos na noite de domingo, 20, um levantamento do jornal britânico The Guardian observou que cientistas disseram que mais dados são necessários antes que conclusões firmes sejam tiradas.

Um deles é Christian Drosten, importante virologista alemão, que disse esperar que a nova cepa já estivesse em circulação na Alemanha. Os dados científicos sobre a mutação ainda não são claros, disse Drosten à emissora Deutschlandfunk na segunda-feira.

Afirmações de que a cepa era 70% mais transmissível pareciam ser uma estimativa por enquanto, disse ele, e precisariam ser verificadas por cientistas britânicos ao longo desta semana.

Drosten disse: “A questão é: este vírus está sendo impulsionado por uma nova onda que se aproxima na região em questão [sudeste da Inglaterra], ou este vírus é o responsável pela criação dessa onda em primeiro lugar? Essa é uma diferença importante.”

Na França, Vincent Enouf, do Institut Pasteur, disse que não havia ligação comprovada entre a nova mutação e a disseminação mais rápida do vírus na Grã-Bretanha.

“Dizem que está se espalhando mais rápido em partes do Reino Unido”, disse Enouf à televisão France 2. “Mas isso é resultado de um super espalhamento que transmite o vírus ou da nova mutação? Tudo isso ainda precisa ser verificado”.

O governo holandês confirmou no domingo que um caso com a nova mutação havia sido diagnosticado no país no início de dezembro, o que sugere que já pode estar no país há algum tempo.

Marion Koopmans, chefe do departamento de estudos virais da Universidade Erasmus, em Roterdã, disse que há indícios de que a nova variante pode ser mais contagiosa, mas que mais pesquisas são necessárias. Além disso, ela disse, “a Holanda já está em lockdown. Isso ajudaria a prevenir a rápida disseminação aqui”.

Mas até agora não parece estar se espalhando tão rápido na Holanda quanto no Reino Unido, disse Ab Osterhaus, professor emérito de virologia da Universidade Erasmus ao jornal Algemeen Dagblad.“Em áreas onde o número de infecções aumenta particularmente rápido, ele tende a se vincular à mutação”, disse Ostarhaus. “Mas ainda não sei se isso se justifica”.

Na Itália, que também diagnosticou a mutação em uma mulher recém-chegada de Londres e que tem o maior número de mortes causadas pelo coronavírus na Europa continental, os ministros e a mídia foram menos tranquilizadores.

O ministro da Saúde, Roberto Speranza, disse: “Se o vírus chegou despercebido de Wuhan, como não nos preocupar com uma nova cepa que muito provavelmente já está em Roma, Veneza e Torino?” O Sole24Ore intitulou seu artigo sobre a mutação: “A cepa inglesa é assustadora”.

Massimo Galli, especialista em doenças infecciosas da universidade de Milão, disse ser possível que “estejamos perante uma variação que não é mais perigosa, mas que talvez tenha uma maior capacidade de propagação”. Mais pesquisas são necessárias antes que tal afirmação possa ser comprovada, disse ele.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.