Especialistas pedem volta de Agca à prisão

Poucos dias depois da libertação de Mehmet Ali Agca, o turco que em 1981 tentou assassinar o papa João Paulo II, várias vozes na Turquia exigiram que seja detido de novo, por considerar que não cumpriu a pena que lhe foi imposta.Entre outros especialistas judiciais turcos, o ex-ministro da Justiça Hikmet Sami Turk, citado hoje pela televisão local NTV, afirmou que "o tempo em que Agca esteve na prisão não foi bem calculado", e que ele devia ser libertado em 2014.Agca, de 48 anos, é acusado de haver assassinado em 1979 o jornalista turco Abdi Ipekci, saiu em liberdade na quinta-feira passada graças a um polêmico indulto que gerou controvérsia judicial no país.Turk, autor da lei de 1999 que permitiu a libertação do extremista, esclareceu que este "não deve se beneficiar dessa lei que só anistia os que cometeram crimes antes de abril de 1981".Em 13 de maio de 1981, Agca atirou e feriu o papa João Paulo II na praça de São Pedro, e foi condenado à prisão perpétua na Itália. Após cumprir cerca de 20 anos da pena em Roma, foi indultado e extraditado à Turquia em junho do ano 2000.Com Turk concordaram outros dois ex-ministros da Justiça turcos, assim como Turguc Kazan, advogado da família do jornalista assassinado por Agca em 1979.Após sair da prisão e passar por reconhecimento médico em um hospital militar que terá de decidir se deve incorporar-se ao Exército para cumprir o serviço militar, Agca desapareceu nas ruas de Istambul.Segundo as leis turcas, o extremista libertado deve comparecer diariamente a uma delegacia de Polícia até que o hospital militar emita um relatório, possivelmente amanhã, sobre se pode ou não cumprir o serviço militar.No entanto, após ser examinado, no mesmo dia de sua libertação, Agca conseguiu escapar pela porta de atrás do hospital, evitando a imprensa, sem que se saiba de seu paradeiro.

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