Andrew Testa/The New York Times
Andrew Testa/The New York Times

Especialistas questionam precisão de pesquisas no Reino Unido

Nas últimas eleições, em 2015, as sondagens não conseguiram prever os resultados e muitos temem repetição do erro

Fernando Nakagawa, Correspondente / Londres, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 05h00

A qualidade das pesquisas de intenção de voto tem sido questionada há alguns anos no Reino Unido. Nas últimas eleições gerais, de 2015, levantamentos não conseguiram capturar com fidelidade o resultado das urnas e especialistas temem que os levantamentos sobre o referendo que decidirá sobre a permanência ou a saída do Reino Unido da União Europeia sofram do mesmo erro. Há críticas à metodologia das pesquisas.

O professor da London School of Economics, Simon Hix, explica que a principal crítica às pesquisas feitas no Reino Unido é sobre a metodologia e as amostras usadas. “Não vão para a rua para perguntar às pessoas conforme o perfil do eleitorado. Fazem por telefone e internet, que são métodos mais baratos, mas parecem menos precisos”, explica.

Hix diz que, normalmente, as pesquisas realizadas por telefone ligam aleatoriamente para números fixos. Dessa forma, tendem a ser alcançados eleitores mais velhos ou pessoas sem ocupação – grupos que passam mais tempo em casa e estariam mais inclinados a votar pelo Brexit (como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia). Já as pesquisas pela internet tendem a alcançar um grupo mais jovem – eleitorado que estaria mais inclinado à permanência no bloco europeu.

Metodologia. Não há consenso entre especialistas sobre qual metodologia seria mais precisa. Historicamente, os levantamentos por telefone conseguiam trazer uma indicação relativamente precisa do cenário. Mas a análise das últimas eleições tem mostrado que essa exatidão tem diminuído. 

Estudos apontam fragilidades como a sub-representação dos eleitores entre 45 e 64 anos. Por outro lado, o grupo entre 65 e 70 anos teria amostra maior que a adequada. Há, ainda, indicações de que eleitores do Partido Trabalhista teriam uma participação mais frequente que os apoiadores do Partido Conservador.

Esse quadro ficou explícito na última eleição geral. Seis pesquisas de intenção de voto realizadas nos últimos dias da campanha mostravam empate numérico entre eleitores dos partidos Conservador e Trabalhista. No entanto, o resultado das urnas mostrou vitória relativamente confortável dos conservadores, com 7 pontos porcentuais à frente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.