Espectro de Strauss-Kahn ainda ronda Paris

Antes cotado para derrotar Sarkozy, socialista caiu em desgraça, mas deixou as sombras na última etapa da disputa eleitoral francesa

MAUREEN, DOWD, THE NEW YORK TIMES, É COLUNISTA DO NYT, MAUREEN, DOWD, THE NEW YORK TIMES, É COLUNISTA DO NYT, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2012 | 03h06

Artigo

É o aviso mais arrepiante que se pode ouvir na França: o ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn (DSK) está na cidade à procura de um bom programa. Quando Julien Dray, ilustre deputado do Partido Socialista, organizou uma festa de aniversário no domingo à noite, ele não se deu o trabalho de dizer a seus convidados que havia chamado o homem mais notório da França. O lascivo economista - que, antes de cair em desgraça, era considerado o principal nome para vencer o presidente Nicolas Sarkozy - não poderia resistir ao desejo de dar um pulo na festa, como um estraga prazeres dos socialistas às vésperas da eleição.

Strauss-Kahn sentiu-se isolado durante meses, um pária político combatendo uma acusação de "proxenetismo agravado". Na terça-feira, um juiz do Bronx negou a proteção de imunidade diplomática a ele.

No entanto, um amigo de DSK disse que o antigo candidato presidencial se sentia tão solitário nesta semana decisiva que fez pouco caso das repercussões negativas. O bar da festa de aniversário fica no bairro de Saint-Denis, onde a prostituição era tão presente que ajudou a inspirar Sarkozy, quando ministro do Interior, a aprovar uma lei severa contra a exploração do meretrício. O próprio bar já havia sido um sex shop.

Os convidados incluíam assessores de François Hollande, o candidato socialista que ascendeu quando DSK caiu, e Ségolène Royal, a beleza de porcelana que teve quatro filhos com Hollande, mas o passou para trás para se candidatar em 2007 e perder para a direita de Sarkozy. Quando Ségolène - que viera com a filha - soube que DSK estava a caminho, saiu, dizendo, cheia de altivez, que o fazia "em nome do respeito às mulheres".

O jornal Le Parisien publicou uma charge com DSK, em um vestido provocante, saltando de um bolo e cantando "Happy birthday, Mister President", enquanto Hollande resmunga: "Essa é a cobertura do bolo". O surgimento inoportuno do ex-rival caído em desgraça - batizado de "o fantasma" pela imprensa - foi um incômodo para Hollande, que está a caminho de se tornar o primeiro presidente socialista desde que seu ídolo e antigo chefe François Mitterrand foi eleito.

A presença de DSK fez os editorialistas se perguntarem por que os socialistas estavam fazendo uma investida final para reeleger Sarkozy, que está segundo lugar das preferências. Hollande, cujos apelidos são "Marshmallow vivo" e "Flanby" (uma marca francesa de flan), sentiu-se pressionado a ser firme a respeito das especulações de que DSK voltaria como ministro em seu gabinete. O chefe caído do Fundo Monetário Internacional, que um dia achou que poderia salvar a economia da Europa, "não tem mais lugar na vida política", disse Hollande. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK.

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