Esperam-se novos confrontos amanhã em Quebec

Algumas centenas de manifestantes romperam nesta sexta-feira à tarde um pedaço da cerca de quase cinco quilômetros instalada numaparte do centro de Quebec para garantir a segurança da Terceira Cúpula das Américas, iniciando distúrbios que ainda nãoestavam controlados faltando pouco mais de uma hora para o início da sessão de abertura da reunião de 34 chefes de governodo continente.A invasão do perímetro de segurança foi respondida com gás lacrimogêneo pela polícia e a convocação dereforços. O chefe da polícia de Quebec acusou os manifestantes de terem iniciado o uso de gás lacrimogêneo na confrontaçãoe informou que mais de vinte deles haviam sido presos.No início da noite, o cheiro de gás podia ser sentido na sala de imprensa montada no Palais de Congress, ao lado do grandeauditório preparado para a cerimônia de abertura da cúpula.A confrontação, que pode repetir-se neste sábado numa escala ampliada,durante uma grande manifestação de protesto autorizada pelas autoridades, tornou-se um embaraço para o governo de Ottawa.As autoridades canadenses já havia reconhecido, na véspera, estar perdendo a batalha de relações públicas com os sindicatos e organizações cívicascanadenses mobilizadas para impedir o sucesso da Cúpula e frustrar seu principal objetivo, que é dar impulso político ao projetode criação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca.O sucesso do ataque contra a cerca de proteção mostrou a fragilidade do esquema de segurança e reforçou a possibilidade deos manifestantes reproduzirem o sucesso de propaganda que obtiveram em Seattle, em dezembro de 1999.Naquela ocasião, o protestopacífico de milhares de sindicalistas e militantes de organizações não-governamentais e atos de violência perpetrados porgrupos isolados de anarquistas ajudaram a provocar o colapso de uma reunião ministerial da Organização Mundial de Comércioe a selar a primeira grande vitória do movimento anti-globalização.Não se espera um colapso da Cúpula de Québec. Mas o clima de tensão nas ruas sublinhava as dificuldades que aguardam asnegociações da Alca.

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