Daniela Ramiro/ESTADAO
Daniela Ramiro/ESTADAO

Esperamos que não venha pregar o ódio, diz Fisesp

Federação Israelita do Estado de SP teme que aiatolá iraquiano venha ao Brasil promover a discórdia entre religiões

Renata Tranches , O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 05h00

O presidente executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), entidade que representa a comunidade judaica paulista, Ricardo Berkiensztat, afirmou ontem que “causa preocupação” que a visita do aiatolá iraquiano Mohsen Araki seja de alguém que possa “vir ao Brasil semear a discórdia entre as religiões e pregar o ódio”. 

Ao Estado, ele disse que o clérigo é conhecido por suas manifestações duras pregando a destruição de Israel. “São coisas que a gente não quer importar para cá. No Brasil, vivemos muito bem, todas as religiões”, afirmou. A Fisesp e diversas outras entidades judaicas e inter-religiosas se manifestaram contra a visita. Em nota divulgada anteriormente, a Fisesp “repudiou” veementemente a presença de Araki, assim como o Congresso Judaico Latino-Americano (CJL). 

O presidente executivo da Fisesp lembrou que Araki é integrante da Assembleia dos Especialistas – órgão responsável pela escolha do líder supremo – e integrante de um regime que prega abertamente a destruição do Estado de Israel. “Até um tempo atrás, o presidente anterior do Irã (Mohamed Ahmadinejad) negava o Holocausto”, disse, destacando o fato de o Brasil ser o país onde judeus, muçulmanos e cristãos convivem pacificamente. 

“Também sou contra qualquer atitude anti-islâmica”, disse, referindo-se ao fato de ser contra aqueles que associam o Islã ao terrorismo. “Aqui no Brasil não temos nenhum histórico de problema entre as religiões.” 

Na mesma linha, o Instituto Brasil-Israel divulgou nota na qual afirma que se alinha aos que se sentem “agredidos” com a visita. Ao mesmo tempo, condena o posicionamento dos que “fazem uso de referências preconceituosas e xenófobas direcionadas aos muçulmanos e ao povo iraniano”. 

O grupo de líderes religiosos islâmicos, judeus e cristãos no Brasil também se manifestou e “alertou” contra qualquer discurso destinado a “propagar o ódio entre nossas comunidades”. 

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