Esperança de paz ajuda iraquianos a vencer medo

Addil Ali al-Bidery caminhava com a mulher, a filha adolescente e o filho pequeno para a sua seção eleitoral, em uma escola na região central de Bagdá, quando uma bomba explodiu na rua. A família não saiu ferida e, em vez de voltar para casa, continuou caminhando mais cinco minutos até a escola. "Isto é normal para nós", explicou Bidery, de 42 anos, empregado de um supermercado.

AE, Agencia Estado

08 de março de 2010 | 07h33

Assim como a grande maioria dos eleitores que o jornal O Estado de S. Paulo entrevistou nos últimos dez dias em Bagdá, Bidery votou no ex-primeiro-ministro xiita Ayad Allawi, líder da coalizão secular Al-Iraqiya. "Não estou contente com a situação do país", disse Bidery, queixando-se de que não tem um emprego formal. "Para se conseguir um emprego, é preciso pagar propina a um funcionário público", explicou, repetindo uma queixa muito comum entre os iraquianos. "Talvez Allawi traga mudanças."

O xiita Bashir Saleh al-Sahedi, de 35 anos, veio com a mulher, Tabarak, empurrando um carrinho de bebê com seu filho e os pais dele. "Os atentados são mais um motivo para votarmos, porque queremos que eles acabem", disse Sahedi, que votou num candidato da lista do primeiro-ministro Nuri al-Maliki porque foi seu professor. "As explosões não vão nos deter", confirmou Tabarak, de 19 anos, que usava véu e vestido cor-de-rosa.

Medo

"Vim votar porque quero parar essas bombas", respondeu Ayad Tareq, de 38 anos, à pergunta sobre se não tinha medo de sair de casa em meio aos atentados a bomba e ataques com morteiros e foguetes Katyusha. Funcionário do Ministério dos Transportes, Tareq confessa que também votou no principal candidato da oposição: "Gosto de Allawi porque ele não discrimina entre xiitas e sunitas, e porque acho que vai ganhar", explicou. "Maliki foi bom no início, mas depois se tornou irreconhecível. Só ajuda o grupo dele, não as pessoas comuns. Ficou igual a Saddam (Hussein)", completou, referindo-se ao ditador que governou o Iraque de 1979 até a invasão americana, em 2003.

"Poucas pessoas estão vindo votar, porque estão vendo primeiro o que vai acontecer", reconheceu Amr Ahmed Niaimi, de 49 anos, com a mulher, um casal de filhos pequenos e um primo. "Não tenho medo." Niaimi trouxe o filho Abdullah, de seis anos, porque ele queria colocar a tinta azul indelével no indicador, destinada a evitar que votem mais de uma vez. Também votou em Allawi: "Foi um bom primeiro-ministro e não é sectário." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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