Esperança na votação na ONU

Se o Estado palestino for reconhecido, será a oportunidade de o Quarteto apresentar uma proposta de paz com Israel

Jimmy Carter, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

Em setembro de 1978, Anwar Sadat e Menachem Begin assinaram os Acordos de Camp David, após quatro guerras árabe-israelenses nas quais a poderosa força militar do Egito ameaçou a existência de Israel.

No Parlamento egípcio e no israelense (Knesset), amplas maiorias aprovaram o acordo, que exigia que fossem honrados todos os aspectos da Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU. Um de seus principais dispositivos era "a natureza inadmissível da aquisição de territórios por meio da guerra e a necessidade de se trabalhar para estabelecer uma paz justa e duradoura na qual cada Estado da região possa viver em segurança". Os acordos previam a retirada das forças militares e políticas de Israel dos territórios ocupados e a concessão de "autonomia plena" aos palestinos.

Seis meses mais tarde, um tratado de paz entre os dois países foi adotado, garantindo a retirada israelense do Sinai egípcio, o uso do Canal de Suez por Israel e a restauração de relações diplomáticas.

Desde então, os termos do tratado de paz entre Egito e Israel foram mantidos, mas as condições fundamentais dos Acordos de Camp David foram ignoradas. Após a morte de Sadat, o presidente Hosni Mubarak não lutou pelos direitos dos palestinos, apesar de a maioria do povo egípcio continuar insistindo para que Israel honre o compromisso. O principal objeto de preocupação é a contínua ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.

O presidente Barack Obama reconheceu a importância do tema num importante discurso feito no Cairo em março de 2009, quando pediu o congelamento de toda a atividade de construção dos assentamentos. Dois meses depois, Obama declarou que as fronteiras antes da guerra árabe-israelense de 1967 - ajustadas para levar em consideração certos assentamentos israelenses perto de Jerusalém - devem ser a base para um acordo de paz.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu rejeitou ambas propostas, deu prosseguimento à construção de assentamentos e apresentou novas e inaceitáveis demandas de uma presença militar permanente no Vale do Jordão e o reconhecimento de Israel enquanto "Estado judaico" (cerca de 25% dos cidadãos israelenses não são judeus).

Os EUA abstiveram-se de uma participação ativa no processo de paz. Os palestinos e outros árabes interpretaram a política americana como uma aceitação da ocupação e a consideram parcial. Declarando que não lhes resta alternativa, os palestinos planejam solicitar o reconhecimento de um Estado palestino no Conselho de Segurança e na Assembleia-Geral da ONU.

Supondo que o Estado palestino seja amplamente reconhecido apesar de um veto americano no Conselho de Segurança, quais são as opções para o futuro? Liderados pela Europa, haverá uma oportunidade para que os EUA e outros membros do Quarteto (Rússia, União Europeia e ONU) apresentem uma ampla proposta de paz com base na política externa oficial americana, resoluções anteriores da ONU e as exigências anteriores do Quarteto, todas compatíveis entre si.

Os palestinos terão de rejeitar a violência, aceitar o direito de Israel de existir em paz dentro das fronteiras de 1967 (modificadas por meio de trocas de território negociadas), uma presença de forças da ONU ou da Otan no longo prazo dentro da Palestina, e o direito do seu povo de retornar às suas terras. Neste processo, os israelenses teriam de aceitar as mesmas fronteiras e a presença das forças de paz.

O resultado pode levar à paz a Israel e seus vizinhos. A alternativa a esta nova iniciativa internacional seria uma ampliação da falta de esperança, a animosidade e uma provável erupção de violência. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

É EX-PRESIDENTE DOS EUA

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