'Espero que o Brasil nos apoie', diz Yoani

Apesar de negativa do Planalto, blogueira e colunista do 'Estado' espera se encontrar com a presidente do Brasil

O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h02

A blogueira cubana e colunista do Estado Yoani Sánchez entregou ontem os documentos necessários para que o governo da ilha emita uma autorização para que ela viaje ao Brasil. A intenção de Yoani é acompanhar, no dia 10, em Jequié, na Bahia, o lançamento de um documentário sobre direitos humanos em que ela é entrevistada. A "jornalista independente" afirmou que esta é a 19.ª vez que ela tenta obter a permissão de saída de Cuba.

"Em 18 ocasiões nos últimos 4 anos me negaram essa permissão. Meu passaporte está cheio de vistos (para o Brasil, ela obteve na quarta-feira). Evidentemente, como não tenho delitos pendentes nem sei de segredos de Estado, que são usados como argumentos para a proibição dessas autorizações, não deixar que eu viaje é uma punição, um castigo, para que eu saiba que eles (os governantes) não gostam do que eu faço", disse ao Estado a autora do blog Generación Y, onde Yoani opina sobre diversos aspectos da sociedade cubana.

A blogueira afirmou que não foi informada por representantes do governo brasileiro sobre a decisão da presidente Dilma Rousseff de não se encontrar com dissidentes cubanos durante sua viagem à ilha, que se inicia na terça-feira. "Não tive uma confirmação nem uma negativa do governo brasileiro (sobre a audiência que pediu com Dilma)."

"Ainda tenho esperança de encontrar-me com ela para falar sobre a política migratória cubana, para que ela interceda em nosso favor. Ela tem de falar com os dissidentes para ter uma visão completa sobre a situação de Cuba - que á um país plural - e dos cubanos."

Na opinião de Yoani, a relação do Brasil com a dissidência cubana "já melhorou", pois Dilma não fez nenhum "comentário infeliz" sobre a morte por greve de fome do preso político Wilman Villar Mendoza, de 31 anos, ocorrida no dia 19. A blogueira lembrou da gafe que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu após ter chegado à ilha no mesmo dia em que o dissidente Orlando Zapata Tamayo morreu. O brasileiro evitou o assunto durante a viagem e, dois meses depois, qualificou Zapata como um preso comum.

A ativista Berta Soler, líder das Damas de Branco, disse que pediu uma audiência com Dilma, para falar sobre a situação "dos 54 presos políticos mantidos pelo governo" e também espera conseguir a conversa. Assim como Yoani, ela quer "que a presidente brasileira não ignore os dissidentes, como Lula fez em 2010", ao não conversar com opositores na ilha. "Ela não pode repetir essa atitude." / G.R.

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