Enrique de la Osa/Reuters
Enrique de la Osa/Reuters

Espião cubano é libertado nos EUA

Fernando González é o segundo integrante do grupo de 5 agentes condenados em 2001 a sair da prisão; ele será deportado para Cuba

O Estado de S. Paulo,

27 de fevereiro de 2014 | 23h16

MIAMI, EUA - Fernando González, um dos cinco cubanos presos nos EUA em 1998 e condenados em 2001 a longas penas de prisão sob acusações de espionagem, foi libertado na quinta-feira, 27, da penitenciária federal de Safford, no Arizona, após cumprir sua sentença. González - ou Rubén Campa, como é tratado pelas autoridades americanas - seria deportado "rapidamente" para Cuba.

Após mais de 15 anos atrás das grades, o cubano completou sua pena às 4 horas locais (zero hora, em Brasília), segundo o porta-voz do sistema penitenciário Chris Burke. O funcionário afirmou que González ficou sob custódia do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos EUA, encarregado da deportação.

A porta-voz da agência, Barbara González, afirmou que o processo de envio do cubano para Havana já tinha sido iniciado, mas a data para o retorno à ilha ainda não estava marcada. Alegando "razões de segurança", a funcionária não informou onde ele seria mantido enquanto ainda estivesse em território americano.

Uma fonte do serviço de controle de fronteiras dos EUA afirmou que Washington e Havana teriam de entrar em acordo sobre a documentação necessária para que González fosse deportado.

Considerados heróis pelo governo cubano, que constantemente veicula propaganda cultuando a imagem dos cinco e exigindo suas libertações, eles foram condenados em Miami, por acusações que incluem conspiração e omissão diante das autoridades americanas, segundo as quais os cubanos deveriam ter se identificado como agentes de um governo estrangeiro assim que chegaram aos EUA.

O grupo era considerado parte da "Rede Vespa", um suposto esquema de espionagem mandado pelo então presidente cubano, Fidel Castro, para atuar no sul da Flórida.

De acordo com testemunhos registrados em seu julgamento, os cinco tinham como objetivo infiltrar-se em bases militares americanas, entre elas, o quartel-general do Comando Sul - responsável pelas missões dos EUA em países latino-americanos, exceto o México - e outras instalações militares na Flórida.

Os cinco também manteriam listas de opositores cubanos exilados nos EUA e buscariam plantar agentes em campanhas de políticos americanos anticastristas, de acordo com as acusações.

Havana afirma que os cinco não ofereciam qualquer ameaça à soberania americana e apenas monitoravam militantes exilados nos EUA para evitar ataques terroristas em Cuba. O atentado mais conhecido foi uma série de explosões em hotéis da capital cubana em que um turista italiano morreu, em 1997. Os pedidos pela libertação dos cinco por parte das autoridades cubanas são frequentes.

Diante do anúncio da libertação de González, Cuba marcou um concerto em homenagem aos cinco na Universidade de Havana, amanhã à noite. No entanto, não ficou claro se ele já estará em seu país para acompanhar a celebração.

Condenados. Em outubro de 2011, também após cumprir a sentença a que foi condenado, outro integrante do grupo dos cinco, René González, foi libertado. Por ser nascido na cidade americana de Chicago, porém, ele foi obrigado a cumprir três anos de liberdade condicional no território dos EUA.

Apesar da determinação da Justiça americana, o cubano recebeu autorização para viajar a Cuba, em 2013, para acompanhar o funeral de seu pai - e permanecer no país se abrisse mão da cidadania americana. Hoje, ele vive na ilha.

Fernando e René foram detidos juntamente com Gerardo Hernández, Ramón Labaniño e Antonio Guerrero. Todos admitiram ser agentes do governo cubano. / AP, AFP e EFE

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