Espião cubano é recebido por Raúl Castro em Havana

Fernando González foi deportado para Cuba após ficar mais de 15 anos preso nos EUA acusado de conspiração

HAVANA, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2014 | 02h05

O agente de inteligência de Cuba que foi libertado por autoridades americanas na quinta-feira, após cumprir sua sentença de mais de 15 anos de prisão por espionar exilados cubanos nos EUA, chegou ontem a Havana. Fernando González, de 50 anos, foi o segundo dos cinco espiões do regime castrista presos em 1998 em território americano a ser libertado.

Jornalistas estrangeiros foram proibidos de acompanhar a chegada do cubano. "O herói de Cuba e lutador antiterrorista Fernando González chegou ao meio-dia de hoje (ontem) a nossa pátria, depois de cumprir integralmente uma longa e injusta pena", afirmou um apresentador da TV estatal, em uma transmissão que interrompeu a programação da emissora.

O presidente de Cuba, Raúl Castro, foi ao aeroporto de Havana receber González pessoalmente. Vestido com seu uniforme militar, o chefe de Estado bateu continência para o agente, que o havia saudado de maneira similar, e ambos se abraçaram longamente - diante da mãe do espião, Magalis Llort, e da mulher dele, Rosa Aurora Freijanes.

"É uma honra para mim - e um gesto que agradeço - que o companheiro general Raúl tenha se dado ao trabalho de vir aqui me receber", afirmou González à imprensa oficial cubana. "É um gesto que agradeço, que me compromete a dar tudo pela luta pela libertação de meus irmãos (os agentes que continuam presos nos EUA)", disse emocionado.

González declarou que sentia uma "felicidade imensa" por estar de volta ao seu país e cercado novamente por sua família, mas que o sentimento era "difícil de descrever". O agente - que é formado em relações internacionais - também agradeceu a todos que, dentro e fora da ilha, lutaram pela causa dos cinco espiões.

González foi condenado em 2001, em Miami, juntamente com outros quatro agentes: René González, que saiu da cadeia em 2011, mas ainda cumpriu um período de liberdade condicional nos EUA antes de retornar para Cuba, no ano passado; Antonio Guerrero, que deverá sair da cadeia em 2017; Ramón Labaniño, que tem pena prevista até 2024; e Gerardo Hernández, que foi condenado a duas sentenças de prisão perpétua.

Acusações. Os cinco foram condenados por acusações que incluem conspiração, associação ilícita e atuação como agentes secretos em território americano. Havana reconheceu que o grupo agia em nome do regime cubano, mas rejeitou as acusações de espionagem contra os EUA, alegando que os agentes tinham a missão de obter informações sobre grupos anticastristas radicais da Flórida. / REUTERS e AP

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