Espião preso em Bogotá é cabo eleitoral de Uribe

Andrés Sepúlveda trabalhava na campanha de Oscar Zuluaga e não escondia sua aversão ao presidente Santos

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2014 | 07h01

Andrés Fernando Sepúlveda, de 31 anos, preso na terça-feira em Bogotá sob suspeita de espionar as negociações de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), tinha forte afinidade política com o "uribismo" - corrente ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe - e não escondia a aversão ao atual presidente Juan Manuel dos Santos.

Sepúlveda e uma equipe que contava com alguns parentes realizavam trabalhos em redes sociais para a campanha do candidato à presidência, o opositor Oscar Iván Zuluaga, que negou toda a responsabilidade do seu comando eleitoral nas ações de espionagens. Zuluaga é membro do Partido Centro Democrático, fundado por Uribe, forte oponente das negociações de paz com as Farc.

Em seu perfil no Twitter, Sepúlveda criticava abertamente Santos: "Os terroristas das Farc estão novamente preparados para invadir Bogotá. O que o presidente fará agora - ou isso faz parte de sua campanha?"

Ontem, Sepúlveda declarou-se inocente das acusações de uso de programas maliciosos, violação ilícita de comunicações e interceptação de dados.

A audiência no complexo judicial de Paloquemao, na capital colombiana, foi a portas fechadas por ordem do juiz responsável. Logo após ouvir as acusações e rejeitá-las, Sepúlveda teve emitida contra ele uma ordem de prisão preventiva por ser considerado um risco para a sociedade, de acordo com o procurador-geral, Luis Eduardo Montealegre. Apesar de Sepúlveda não ter admitido as acusações, Montealegre disse que o acusado agora quer colaborar com a Justiça.

"Por motivo de segurança, Sepúlveda permaneceu na sede da procuradoria", explicou Bernardo Luis Alzate, advogado do suposto espião. "Impuseram a ele uma prisão preventiva e ele não aceitou nenhuma acusação", disse Alzate após a audiência. "Nenhuma acusação foi aceita, porque queremos saber os elementos que a procuradoria tem para estabelecer a responsabilidade dele."

Segundo o procurador, Sepúlveda espionava o chefe de Estado e os representantes das Farc no processo de paz, que se realiza em Cuba, entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro desde 2012.

Sepúlveda foi preso na terça-feira em um luxuoso edifício localizado na região norte de Bogotá, onde se supõe que realizasse os trabalhos de espionagem, de acordo com denúncias da procuradoria colombiana. / AFP, AP e EFE

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