Espião russo também era agente britânico, diz advogado

O espião russo Alexander Litvinenko era um agente "registrado e pago" que trabalhava para a inteligência britânica quando foi morto na capital inglesa misteriosamente envenenado, afirmou nesta quinta-feira um advogado que representa a viúva da vítima. Outro advogado disse que o governo da Grã-Bretanha tem provas de que o governo russo atrás por trás do assassinato de Litvinenko. A Justiça britânica investiga a morte de Litvinenko, que morreu em novembro de 2006 após beber chá com o raro isótopo radioativo Polônio-210 em um hotel londrino. O caso estremeceu as relações entre Londres e Moscou, que nega ter envenenado seu ex-agente secreto, o qual virou um crítico feroz do Kremlin na Grã-Bretanha.

AE, Agência Estado

13 de dezembro de 2012 | 14h36

A audiência judicial de hoje teve o objetivo de esclarecer o escopo de uma investigação pública sobre a morte de Litvnenko. O juiz Robert Owen disse que o julgamento, caso aberto, deverá começar em maio de 2013. O advogado Ben Emmerson, que representa a viúva do espião falecido, Marina, disse que quando Litvinenko morreu, trabalhava para o serviço secreto britânico MI6 e tinha como missão ajudar a polícia espanhola a investigar as atividades criminosas da máfia russa. A investigação britânica irá analisar se o MI6 fracassou em avaliar corretamente os riscos aos quais Litvinenko estaria exposto na missão, disse Emmerson. Um relatório final do médico legista, que fez a autópsia do corpo da vítima em 2006, também será decisivo para a abertura ou não de um julgamento, no qual o governo russo poderá ser réu.

O advogado Neil Graham, que representa o Escritório do Interior do governo britânico, disse na audiência que não pode "confirmar e nem negar" se Litvinenko trabalhava para a espionagem britânica.

Enquanto isso, Hugh Davies, o advogado que aconselha o médico legista na investigação, disse na audiência que uma "avaliação de alto nível" de provas confidenciais fornecidas pelo governo britânico estabelece a culpa do governo russo no envenenamento de Litvinenko.

O ex-agente secreto russo, quando já estava envenenado e agonizava em um hospital londrino, culpou o Kremlin por sua morte, principalmente o presidente Vladimir Putin. A Justiça britânica acusou dois russos, Alexander Lugovoi e Dmitry Kovtun, de matarem Litvinenko com veneno, mas o governo russo recusou-se a extraditá-los à Grã-Bretanha. Após a audiência de hoje, a viúva do espião, Marina, se disse encorajada com as investigações. "Eu gostei de tudo o que foi feito hoje e vou observar com atenção qual será o laudo decisivo que será escrito pelo legista".

As informações são da Associated Press.

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