Espiões do Paquistão ajudaram grupo dos ataques em Mumbai

'NYT' aponta encontros secretos entre oficiais do serviço secreto paquistanês e membros do Lashkar-e-Taiba

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 12h09

O Lashkar-e-Taiba, grupo baseado no Paquistão que tem combatido o domínio indiano na Caxemira, tem ganhado força nos últimos anos com a ajuda do serviço de espionagem do Paquistão, disseram funcionários da inteligência americana ao jornal americano The New York Times. Segundo o diário, oficiais dos EUA dizem que não possuem evidências fortes da ligação dos serviços secretos paquistaneses com os ataques coordenados que mataram mais de 170 pessoas na Índia, mas afirmam que a agência está compartilhando informações com o grupo e garantindo proteção aos militantes acusados por Nova Délhi de planejarem o ataque. Os investigadores americanos concentram os trabalhos em um líder do Lashkar, que eles acreditam ser ligado ao serviço secreto paquistanês e mentor dos ataques, Zarrar Shah. Funcionários indianos ainda examinam se o suspeito, especialista em comunicações, ajudou a planejar e promover os atentados. "Ele é personagem central neste plano", disse um oficial americano ao jornal. Como resultado das ações contra a capital financeira da Índia, especialistas em antiterrorismo e do Exército americano afirmaram que estão reavaliando a visão sobre o Lashkar e acreditam que o grupo seja mais capaz e represente uma ameaça maior do que previam. "As pessoas estão voltando e observando novamente todas as suas conexoes", disse um oficial americano contra o terrorismo. Embora o governo paquistanês tenha banido oficialmente o Lashkar em 2002, oficiais americanos dizem que o grupo ainda mantém laços com os serviços de inteligência do país. Agências de espionagem americanas documentaram encontros regulares entre o serviço secreto e membros do grupo, aponta o jornal. Esses dados surgem além da informação sobre financiamento e treinamento dos militantes. Autoridades de Washington dizem que não é possível ligar diretamente o serviço secreto paquistanês com os ataques em Mumbai. "Não acredito que exista evidência concreta de envolvimento de oficiais paquistaneses", afirmou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, em entrevista à CNN, "mas acredito que o Paquistão tem a responsabilidade de agir". Ela disse ainda que as evidências apontam que "os terroristas usaram o território do Paquistão". Um oficial americano antiterrorismo afirmou que "uma coisa é dizer que o serviço secreto tem ligação com o Lashkar, outra é dizer que o serviço secreta está por trás do ataque de Mumbai. As evidências não apontam para este lado". Lashkar-e-Taiba, que significa "Exército da pureza", foi fundado há mais de 20 anos com a ajuda de oficiais da inteligência paquistanesa como um grupo para desafiar o controle indiano na Caxemira, província disputada desde a independência dos dois países do Reino Unido, em 1947. O grupo tem ainda um histórico de usar grupos extremistas locais em suas operações. Investigadores em Mumbai estão seguindo pistas de que o Lashkar teria recrutado o movimento islâmico dos estudantes da Índia para apoio logístico e de reconhecimento.

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