Espionagem atingiu mensagens eletrônicas de americanos

Segundo o 'The New York Times', NSA intercepta mensagens com o objetivo de caçar estrangeiros

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2013 | 19h04

A espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA), dos Estados Unidos, teve amplitude maior do que a revelada inicialmente e atingiu o conteúdo de mensagens eletrônicas de cidadãos americanos, especialmente quando enviadas ou recebidas de estrangeiros sob investigação. O escopo mais amplo da espionagem foi detalhado em reportagem do 'The New York Times', cujo teor foi insistentemente desmentido nesta quarta-feira pela Casa Branca.

Segundo o texto, e-mails outras comunicações eletrônicas de americanos com pessoas dentro e fora do país são lidos pelos agentes da NSA, com o objetivo de caçar estrangeiros sob suspeita de envolvimento com o terror. Um e-mail mencionado em uma correspondência serviria como pista, disse uma autoridade do setor de inteligência ao jornal americano. Essa interceptação estaria ocorrendo sem autorização judicial. A NSA reagiu dizendo estar sua atividade coberta por ordem judicial e não atingir cidadãos americanos.

No Brasil, o jornalista americano Glenn Greenwald confirmara o escopo mais amplo da espionagem da NSA, inclusive na área comercial, em depoimento no dia 6 no Senado. O responsável pela entrega de material sobre a rede de espionagem a Greenwald, o também americano Edward Snowden, também já havia mencionado essa intervenção da NSA sobre a correspondência eletrônica e chamadas telefônicas nos EUA e no exterior.

Confrontada com o conteúdo da reportagem, a Casa Branca tratou de desmentir o exame de um volume amplo de correspondências e a leitura, por agentes da NSA, de e-mails de cidadãos americanos. A agência, insistiu Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, teve acesso a informações com a devida autorização judicial. "Durante o exame de apenas uma pequena porcentagem do tráfico mundial (de e-mails) pelos analistas da NSA, se comunicações de cidadãos americanos incidentalmente forem coletados, a agência tem de seguir os procedimentos de minimização aprovados pelo procurador-geral dos EUA para proteger a privacidade das pessoas", disse Carney. "O propósito do programa (de espionagem da NSA) é investigar e potencialmente prevenir ameaças terroristas vindas de fontes estrangeiras."

Na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, informou parlamentares americanos críticos do esquema de espionagem que determinaria mudanças na NSA. Mas, no dia 6, em um show da rede de televisão NBC, ele defendeu a operação da agência por levantar informação "útil" para a atividade antiterror nos EUA. Obama insistiu que a espionagem não atinge os americanos. "Nenhuma das revelações mostram que o governo abusou de seus poderes, mas elas (as atividades de espionagem) são poderes significativos."

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