REUTERS/Damir Sagolj
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Espionagem da China preocupa americanos

Produtos chineses podem colocar softwares para ciberataques nos escritórios do governo

David J. Lynch / BLOOMBERG, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 05h00

O governo dos EUA está extremamente vulnerável à espionagem e a ciberataques chineses em razão da sua dependência de produtos eletrônicos e software fabricados na China, um risco que deve aumentar à medida que Pequim busca um domínio tecnológico global, segundo estudo feito para uma comissão consultiva do Congresso americano.

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Os produtos de tecnologia da informação fabricados por empresas de propriedade ou promovidas pela China podem ser modificados para funcionar mal, serem usados em espionagem ou, de algum modo, interferirem nas operações do governo, informa o relatório da Security Review Commission.

“A maior parte dos US$ 90 bilhões anuais gastos pelo governo dos EUA em tecnologia da informação vai para a compra de produtos chineses, o que oferece a Pequim a possibilidade de colocar em escritórios do governo americano software de espionagem e backdoors que podem ser usados para ciberataques”, afirmou Jennifer Bisceglie, diretora da Interos Solutions, que conduziu o estudo.

O estudo foi divulgado em meio a uma disputa comercial cada vez mais áspera entre EUA e China, com Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, trocando ameaças de aumentos de tarifas. Depois de décadas de relacionamento comercial cada vez mais intenso, Trump agora acusa a China de “agressão econômica”, qualificando o país de potência econômica “hostil”.

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As tecnologias avançadas são o foco de tensão que mais se destaca. Com base em seu programa “Made in China 2025”, o governo chinês vem canalizando US$ 300 bilhões para 10 setores estratégicos, incluindo os de inteligência artificial, semicondutores e robótica. O objetivo é diversificar seu papel como fabricante de brinquedos e roupas e se tornar líder global nas tecnologias necessárias para alcançar o domínio militar e comercial.

No mês passado, o representante comercial dos EUA acusou a China de forçar empresas estrangeiras a fornecer segredos comerciais em troca de acesso ao mercado chinês, e de lançar uma campanha de roubo cibernético.

Falta de regras

O relatório apresentado à comissão do Congresso descreve um sistema de compras fragmentado e uma falta de regras claras quanto à avaliação dos riscos externos. Fornecedores de computadores, roteadores, software e impressoras para o governo, como Hewlett-Packard, Dell, Cisco, Unisys, Microsoft e Intel dependem das fábricas chinesas para grande parte dos seus componentes. 

Segundo o relatório, dados disponíveis mostram que 51% das peças enviadas para essas empresas são originárias da China. A Microsoft utiliza 73% de componentes chineses, diz o relatório.

Introdução do 5G aumenta os riscos

O objetivo da China é assumir um papel cada vez maior no estabelecimento de padrões técnicos internacionais para as redes sem fio 5G. Isso aumenta o risco de espionagem, acreditam especialistas, uma vez que se multiplicam os pontos de entrada de programas que possibilitam ciberataques.

“O problema cresce em magnitude”, disse Michael Wessel, da comissão de comércio EUA-China. “Não temos um plano para lidar com esse papel crescente da China no cenário mundial e os projetos daquele país de dominar a área da tecnologia das comunicações e da informação”, acrescentou. 

Autoridades americanas há anos se preocupam com o papel da China no setor de tecnologia. No ano passado, o Departamento de Segurança Interna emitiu um alerta sobre câmeras de segurança fabricadas pela Hikivision, da qual o governo chinês tem 42%. As câmeras podem ser controladas remotamente por hackers, segundo os EUA.

Como a China tem papel crucial na produção de material eletrônico, é impossível dispensar os fornecedores chineses de peças. Em 2017, os americanos adquiriram mais de US$ 155 bilhões em produtos chineses. A substituição de computadores obsoletos pelo governo criou novas vulnerabilidades. “A modernização aumenta o risco se as tecnologias recentemente adotadas não forem avaliadas de modo adequado”, diz o relatório. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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