Espionagem dos EUA vira questão eleitoral na Alemanha

As acusações de que os Estados Unidos têm acesso a dados de cidadãos de todo o mundo criaram problemas para a chanceler alemã Angela Merkel, que antes do escândalo parecia se dirigir facilmente para um terceiro mandato, embora ainda não esteja claro se o fato vai realmente ameaçar sua reeleição.

Agência Estado

17 de julho de 2013 | 10h28

Os oponentes de centro-esquerda de Merkel aproveitaram a divulgação da existência de programas de vigilância da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, pelo ex-agente Edward Snowden, para afirmar que a chanceler não tem atuado de forma suficiente para enfrenta Washington e proteger os dados pessoais dos alemães. A oposição também lançou dúvidas sobre as afirmações das autoridades de que elas não tinham conhecimento dos programas.

Peer Steinbrueck, social-democrata que concorre com Merkel ao cargo, diz que o governo fechou os olhos para as violações dos direitos dos alemães e que Merkel violou seu juramento ao assumir o cargo, quando prometeu "impedir danos" a seu povo.

Para o líder do partido Verde, Juergen Trittin, o governo está agindo como os ''famosos três macacos sábios: não ouço o mal, não falo o mal e, definitivamente não vejo o mal". Seu partido pediu que a Alemanha aceite Snowden, mas o governo de Merkel, como vários outros, rejeitou o pedido de asilo do norte-americano.

A proteção da dados pessoais é uma questão mais sensível na Europa do que nos Estados Unidos e particularmente na Alemanha, onde são fortes as lembranças da vigilância e repressão na Alemanha Oriental pela polícia secreta alemã, a Stasi, e pela nazista Gestapo.

A oposição também questiona se os próprios serviços de inteligência alemães sabiam dos programas. Os serviços de inteligência estrangeiros da Alemanha são supervisionados, em última instância, pelo chefe da Casa Civil de Merkel, Ronald Pofalla.

Cerca de 79% dos alemães interrogados durante uma pesquisa realizada entre 9 e 11 de julho pelo grupo Forschungsgruppe Wahlen, para a emissora de televisão ZDF, disseram acreditar que o governo alemão tinha conhecimento dos programas norte-americanos.

Por outro lado, o mesmo levantamento mostrou que 62% preferem Merkel como chanceler e apenas 29% querem Steinbrueck no cargo. A pesquisa também mostrou a coalizão de governo da chanceler perto da maioria parlamentar, com uma vantagem de 15 pontos porcentuais sobre os social-democratas de Steinbrueck. A pesquisa ouviu 1.338 pessoas e teve margem de erro de 3 pontos porcentuais, para mais e para menos. Fonte: Associated Press.

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