EFE/David Fernández
EFE/David Fernández

Espionagem, petróleo e militarização aumentam tensão sobre Malvinas

Londres pediu explicações à embaixadora argentina, Alicia Castro, e Buenos Aires fez o mesmo com o britânico John Freeman

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 17h37

A crescente tensão entre Argentina e Grã-Bretanha em temas relacionados às Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) culminou com Londres pedindo explicações à embaixadora argentina, Alicia Castro, e Buenos Aires fazendo o mesmo com o britânico John Freeman. No último mês, os europeus anunciaram reforço militar e celebraram descoberta de petróleo no arquipélago. Nesta quinta-feira, 9, o governo sul-americano pediu explicações sobre uma denúncia de espionagem e denunciou penalmente na Justiça local cinco empresas envolvidas em perfurações nas Malvinas.

O secretário argentino de Assuntos Relativos às Ilhas Malvinas, Daniel Filmus, relacionou o reforço militar anunciado por Londres em 24 de março - gasto de US$ 268 milhões em 10 anos e uso de dois helicópteros Chinooks - com a exploração econômica na região. “Não tem sentido 1,2 mil soldados para proteger algo que não sofreria uma agressão, a militarização tem claros objetivos econômicos. Para que fique claro, é como se eles estivessem perfurando ao lado do Obelisco (maior ponto turístico de Buenos Aires)”, comparou Filmus em entrevista coletiva.


Ele acusou o consórcio de empresas de violar leis argentinas e resoluções da ONU que pedem a ambos que não tomem medias unilaterais “enquanto está pendente a controvérsia". As empresas denunciadas são as britânicas Rockhopper Exploration, Premier Oil e Falkland Oil And Gas Limited, a americana Noble Energy INC e a italiana Edison International Spa, que exploram uma região 200 quilômetros ao norte do arquipélago.

Na noite de quarta-feira, o governo britânico chamou a embaixadora argentina para reclamar do tom de um discurso da presidente Cristina Kirchner em resposta à ampliação da proteção militar britânica às ilhas. Na cerimônia que marcou o 33.º aniversário do começo do conflito, dia 2, Cristina pediu que o governo britânico “não coloque uma libra a mais” em despesa militar para defender as Malvinas e use o dinheiro para alimentar sua população. A chancelaria britânica respondeu ontem não ter dúvida da soberania ou do direito dos habitantes das ilhas de escolher seu futuro. Em um plebiscito em março de 2013, 98,8% decidiram pertencer à Grã-Bretanha. 

Em retaliação, a chancelaria argentina chamou o embaixador John Freeman para comentar uma denúncia feita há uma semana pelo canal argentino TN com base em relatos de Edward Snowden, que trabalhou para a CIA e está exilado na Rússia. Segundo os dados, houve espionagem relacionada às ilhas entre 2006 e 2011, com operações encobertas em redes sociais e seguimento de militares argentinos. 

A Argentina reivindica a soberania sobre as ilhas, localizadas no Atlântico sul e em mãos britânicas desde 1833. A guerra entre ambos ocorreu em 1982 e deixou 649 soldados argentinos e 255 britânicos mortos. 


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