Esposa de dissidente chinês laureado com Nobel pede sua libertação

Liu Xiabao, vencedor do prêmio da Paz, está preso na China desde dezembro de 2009 por subversão

Reuters e Efe

08 de outubro de 2010 | 10h18

WASHINGTON - A esposa do dissidente chinês Liu Xiaobo, laureado nesta sexta-feira, 8, com o Prêmio Nobel da Paz 2010, disse que a China deveria estar orgulhosa por seu marido ter sido o escolhido pelo comitê norueguês que entrega a premiação e deveria libertá-lo da prisão.

 

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"Espero que a comunidade internacional aproveite esta oportunidade para fazer um apelo ao governo chinês e pressione pela libertação de meu marido", disse ela.

"Como o comitê (responsável pela premiação) reconheceu, o status da China no mundo é acompanhado de crescente responsabilidade", disse Liu Xia em um comunicado por escrito divulgado pelo grupo de defesa dos direitos humanos Liberdade Agora. "A China deveria assumir esta responsabilidade, ter orgulho desta escolha e libertá-lo da prisão", acrescentou ela.

 

Liu Xia, que está sob vigilância domiciliar na capital chinesa, disse sentir-se "agradecida ao Comitê Nobel por ter agraciado" seu marido, Liu Xiaobo, com o prêmio Nobel da Paz 2010. "É uma verdadeira honra para ele, e sei que vai dizer que não

merecia", acrescentou.

 

A poetisa, que se casou com Liu Xiaobo em 1996, declarou sua "sincera gratidão" ao "ex-presidente tcheco Václav Havel, a Sua Santidade Dalai Lama, ao arcebispo Desmond Tutu e a tantos outros que tão valentemente escolheram Liu para ganhar o prêmio". Desde que o Instituto Nobel Norueguês anunciou o ganhador, o telefone de Liu Xia não parou de tocar.

 

O irmão da poetisa, Liu Tong, afirmou à ONG Centro para os Direitos Humanos e a Democracia, com sede em Hong Kong, que as autoridades proibiram Liu Xia de dar entrevistas, e desde esta manhã não pode sair de sua residência, que está vigiada por policiais. O governo censurou a notícia na imprensa do país, mas vários jornalistas e curiosos se reúnem na porta da residência do casal.

 

Censura

 

As autoridades chinesas estão interrompendo a transmissão de emissoras internacionais como a BBC e a CNN cada vez que seus noticiários falam sobre a conquista do prêmio pelo dissidente e crítico literário, preso em 2008 após liderar um manifesto político a favor da democracia na China, a Carta 08.

 

Além disso, não é possível enviar mensagens de texto de celular com o nome do Prêmio Nobel, e nas buscas sobre o prêmio e Liu Xiaobo na internet chinesa, a maior do mundo por número de usuários, aparece uma mensagem que indica que "não é possível mostrar o resultado por violar a lei".

 

Para quem procura apenas pelo nome do ativista, aparece um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores da China informando que ele foi condenado a 11 anos de prisão por "subverter o poder do Estado".

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