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Esposa de ex-líder do PC chinês detalha assassinato de britânico

Gu Kailai afirmou que teria ficado preocupada de o filho que estava nos EUA ser morto

AE, Agência Estado

23 Agosto 2013 | 04h00

JINAN - O julgamento do ex-líder do Partido Comunista Chinês Bo Xilai foi retomado nesta sexta-feira, 23, um dia após o acusado negar ter recebido US$ 3,5 milhões em propinas de empresários.

A esposa de Bo, Gu Kailai, fez um depoimento escrito oferecendo novos detalhes sobre a disputa comercial entre a sua família e Neil Heywood, que acabou com o assassinato do britânico, o que instaurou uma das piores crises políticas na China

Em seu depoimento, Gu afirma que ficou preocupada com seu filho Bo Guagua quando as tensões com Heywood se intensificaram em 2011. Durante uma conversa por vídeo, o filho que estudava nos Estados Unidos teria dito a ela que se sentia ameaçado.

"Eu estava muito preocupada com a segurança de Guagua nos Estados Unidos", afirmou. "Nós estávamos preocupados que Guagua fosse morto", acrescentou.

Segundo Gu, a conversa levou aos acontecimentos de 15 de novembro de 2011, data em que Heywood foi encontrado morto em um hotel de Chongqing.

A esposa de Bo também ofereceu novos detalhes do seu acordo de negócios com Heywood sobre uma vila francesa, que tem um papel central no julgamento do ex-líder comunista, acusado de suborno, corrupção e abuso de poder. Mais cedo, o Tribunal debateu sobre um depoimento de um ex-associado de Gu que afirmou que a vila estava no centro da disputa comercial.

O depoimento de Gu acrescentou novos detalhes à série de eventos que levaram à demissão de Bo dos altos escalões do principal partido da China - um movimento que expôs fissuras dentro da liderança do país. No ano passado, ela foi condenada à morte pelo assassinato de Heywood. A sentença, porém, está suspensa.

A acusação de abuso de poder contra Bo seria motivada pelo fato de o político ter tentado interferir nas investigações sobre o assassinato do britânico depois que a sua mulher foi apontada como suspeita.

Na quinta-feira, Bo demonstrou ter facilidade para se portar em situações difíceis. Além de agradecer ao juiz por lhe deixar falar, afirmou que foi pressionado a fazer uma confissão. "Eu não sou um homem perfeito e estou disposto a assumir as responsabilidade pelo que fiz", afirmou.

Os promotores disseram que Bo usou a sua esposa e o seu filho como intermediários para receber subornos de cerca de US$ 3,5 milhões. Em resposta, Bo disse ter sido pressionado a confessar que tinha recebido os pagamentos de um gerente geral de uma empresa do governo Dalian.

O comunista também foi acusado de ter ajudado o empresário de Dalian Xu Ming nos esforços para comprar um clube de futebol e obter terras para um projeto de balão de ar quente. Há acusações dizendo que Xu ajudou a família de Bo a financiar a compra de uma vila em Nice, na França. Bo negou qualquer tipo de relacionamento com Xu./ AP e DOW JONES

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