Esposa diz que Zelaya está na embaixada do Brasil em Honduras

Presidente deposto teria voltado ao país, três meses após ser afastado do poder.

Claudia Jardim, BBC

21 de setembro de 2009 | 16h15

A embaixada do Brasil em Caracas confirmou nesta segunda-feira que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, retornou a seu país e está na embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa.

A mulher de Zelaya, Xiomara Castro, agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por dar abrigo ao presidente deposto.

Assessores de Zelaya afirmaram à BBC Brasil que a operação que permitiu sua volta, três meses depois da deposição, teria sido realizada com a ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU).

Milhares de simpatizantes de Zelaya se reuniram nos arredores da sede da ONU em Tegucigalpa para recebê-lo.

O governo interino de Honduras, no entanto, nega que Zelaya esteja no país.

O presidente interino, Roberto Micheletti, afirmou a jornalistas que possui "provas de que Zelaya não está em Honduras". A seu ver, a notícia do regresso do presidente eleito se trata de "terrorismo midiático".

"Chamado"

Em entrevista por telefone ao canal Telesur, Zelaya disse que voltou a seu país "atendendo a um chamado do povo hondurenho".

O presidente eleito disse que ainda está "fazendo gestões" e que dará início a um diálogo nacional e internacional que permita a volta da ordem institucional ao país.

"O propósito (do retorno) é que volte a paz e a tranquilidade depois de 86 dias de resistência desse povo hondurenho", disse.

Em transmissão ao vivo pelo canal estatal venezuelano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conversou com Zelaya por telefone.

Ao comemorar a notícia, comentou que o hondurenho viajou "durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando sua vida, conseguiu chegar à capital e está em Tegucigalpa".

"Agora veremos o que farão os golpistas, com o povo na rua e com Zelaya em Honduras", disse Chávez, ao pedir "respeito à vida de Zelaya".

"Vitória"

Para Berta Oliva, dirigente da organização Cofadeh - que pertence a uma rede de entidades que apoiam Zelaya -, o regresso do presidente deposto é "uma vitória do povo".

"Uma de nossas reivindicações era reverter o golpe e o retorno de Zelaya deve garantir isso", disse Oliva à BBC Brasil.

Oliva, no entanto, adverte que a disputa mais difícil a partir de agora será a realização da Assembleia Nacional Constituinte, razão pela qual a oposição argumenta ter deposto Manuel Zelaya em 28 de janeiro.

"A população está convencida da necessidade de uma Constituinte, mas temo que os golpistas optem pelo enfrentamento e pela violência para impedir esse processo", afirmou.

O possível regresso de Zelaya ocorre em meio à campanha para as eleições convocadas para o dia 29 de novembro, pleito que a Organização de Estados Americanos (OEA), o Brasil e a maioria dos países da região afirmaram não reconhecer caso Zelaya não seja restituído.

A volta de Zelaya pode reativar o acordo de San José, rejeitado por Micheletti e seus aliados, que prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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