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Esquerda declara vitória em El Salvador

Se confirmada, eleição presidencial de Funes porá fim a 20 anos de governo de direita no país

Reuters e AP, SAN SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

O candidato da oposição Mauricio Funes, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) - grupo revolucionário convertido em partido - se proclamou presidente eleito de El Salvador com 51% dos votos e 90% das urnas apuradas. Resultados preliminares indicavam ontem a vantagem de Funes, sobre o candidato de direita Rodrigo Ávila, da Aliança Republicana Nacional (Arena). Se confirmada a vitória, será a primeira vez que a esquerda chega ao poder em mais de 20 anos. Muito antes de a divulgação dos resultados começar, na madrugada de hoje, partidários de Funes tomaram as ruas do país para celebrar os resultados parciais com fogos de artifícios, bandeiras do partido FMLN e ruídos das buzinas dos automóveis. Apesar do entusiasmo da oposição e o temor de fraudes, a eleição foi descrita como sendo "maciça e pacífica"."Esperamos os resultados com muita tranquilidade, muita alegria - vamos vencer a eleição, sem dúvida", disse Funes, de 49 anos, a uma rede de televisão local horas antes do início da apuração.O país vem sendo dirigido por partidos de direita desde a guerra civil, que começou em 1980 e durou 12 anos. Mauricio Funes era um jornalista de prestígio (foi correspondente da CNN em espanhol) antes de aderir à FMLN. Ele afirma se identificar com a linha moderada de esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas há temores de que eventualmente ele se aproxime do controvertido presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Por sua vez, Rodrigo Ávila, ex-diretor da Polícia Nacional, é um admirador confesso de Roberto D? Abuisson, fundador da Arena e dos temidos esquadrões militares que atuaram durante a guerra civil. Ávila define Funes como um fantoche da linha-dura da FMLN, que faria de El Salvador uma espécie de província política de Chávez. Mas o esquerdista apresenta-se como membro de uma esquerda democrática, pós-Guerra Fria. Enfatiza que os empresários, de quem diz não ter medo, também não devem temê-lo. O novo presidente afirma ainda que deseja fortalecer as relações com os EUA. Teme-se que o resultado apertado da eleição possa desencadear protestos em El Salvador. Funes denunciou que o partido do governo teria outorgado documentos para que nicaraguenses e guatemaltecos votassem a favor da situação. Por suspeita de fraude, as eleições em El Salvador ocorrem sob observação internacional.O presidente eleito terá de lidar com o impacto da crise mundial em El Salvador, país que depende das remessas de dinheiro enviadas pelos 2,3 milhões de salvadorenhos que hoje vivem nos EUA.

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