Esquerda e direita, unidas contra pesquisas

López Obrador e Josefina dizem ter acesso a levantamentos que lhes dão vantagem sobre Peña Nieto, o favorito

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h06

Em lados opostos do espectro político, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador Partido da Revolução Democrática (PRD) e a liberal Josefina Vásquez, do partido Ação Nacional (PAN) estão unidos por uma crença comum e incompatível: ambos garantem ter pesquisas eleitorais secretas que os colocam 2 pontos na frente de Enrique Peña Nieto, do Partido da Revolução Institucional (PRI).

A seu favor, López Obrador tem o fato de que todas as últimas sondagens o põem pelo menos em segundo lugar. "El Peje", como é conhecido por associação a um peixe típico de seu Estado, Tabasco, ainda está seguro de que perdeu a eleição de 2006 por fraude.

Na quinta-feira, seu partido denunciou a compra de votos por parte do PRI. "Se o Instituto Nacional Eleitoral (INE) fosse um pouco equilibrado, Peña Nieto já não estaria concorrendo", disse o coordenador de campanha de López Obrador, Ricardo Monreal.

A declaração levantou temores de que uma nova derrota em uma disputa apertada possa levar a tentativas de impugnação na Justiça. López Obrador garante que desta vez reconhecerá o vencedor caso não seja ele - em 2006, após perder por 0,56%, ele tirou foto com uma faixa presidencial falsa em protesto.

A candidata do PAN superou as críticas iniciais - teve de explicar por que escreveu em 1999 o livro de autoajuda "Meu Deus, faça-me viúva por favor" -, apareceu na frente de Peña Nieto em algumas pesquisas, mas chega à reta final da campanha como zebra.

Seu início da disputa foi marcado pela falta de apoio do atual presidente, Felipe Calderón, que preferia seu ministro da economia Ernesto Cordeiro. No final, Josefina entrou em atrito com Vicente Fox, primeiro presidente eleito pelo PAN, responsável por tirar o PRI do poder em 2000, rompendo uma hegemonia de 71 anos.

Fox recomendou em uma entrevista o voto em Peña Nieto. Como a perda do mandato presidencial já não seria uma surpresa, o partido se concentra na manutenção de dois Estados-chave ameaçados pelo avanço do PRI: Jalisco e Guanajuato.

O PAN também denúncia irregularidades na campanha do PRI, principalmente a entrega recente a simpatizantes de um saldo para compras em mercados e cartões telefônicos. Desta vez, as denúncias de irregularidades que chegaram à Justiça eleitoral envolvem principalmente candidatos do PRI em Estados e municípios. A eleição de hoje renova todo o Congresso, decide o governo de seis Estados e do Distrito Federal, além de algumas prefeituras e câmaras de vereadores. No total, serão 2.127 cargos.

Histórico. No México, a eleição que pode marcar a volta do PRI ao poder é considerada histórica de qualquer maneira. Uma vitória de López Obrador seria a primeira vez da esquerda na presidência. A de Josefina, a primeira de uma mulher. / R.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.