Esquerda ganha espaço em Parlamento francês

Primeiro turno de votação legislativa indica que grupos ligados ao presidente François Hollande teriam 47% da Assembleia Nacional, maioria confortável

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2012 | 03h04

Projeções feitas até as 23 horas de ontem em Paris indicavam que o presidente da França, François Hollande, obterá uma maioria na Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento, no primeiro turno das eleições legislativas do país, realizado neste domingo.

Números parciais indicavam a vitória das coalizões de esquerda, lideradas pelo Partido Socialista (PS), que alcançariam entre 305 e 353 cadeiras. Os movimentos de direita, capitaneados pela União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, teriam entre 227 e 266 lugares,

Até o final da noite, era impossível dizer qual partido chegaria na frente em número de eleitores, se o PS ou a UMP. Em porcentual de eleitores, a UMP somava 34,6% dos votos, contra 34,4% do PS. Com isso, seguia o suspense sobre se os socialistas alcançariam sozinhos a maioria absoluta de 289 deputados. Caso o partido não chegue a esse escore, será preciso governar em coalizão com os demais partidos de esquerda - um acordo que acontecerá automaticamente. De qualquer forma, o resultado favorável a Hollande seria alcançado graças aos votos da Frente de Esquerda, com 6,8%, e ao movimento Europe Ecologie-Partido Verde, com 5,7%, além da extrema esquerda, que somaria 1%. Juntos, os grupos dominariam 47% do Parlamento.

Segundo analistas, o resultado do primeiro turno indica uma vitória do PS e da esquerda, mas não uma onda vermelha, como chegou a ser esperado. Para o diretor adjunto do Departamento de Opinião Pública do instituto Ifop, Jérôme Fourquet, o resultado não surpreende na França e confirma as eleições presidenciais. "Não houve onda socialista, mas Hollande deverá ter os meios de governar", disse.

Entre os ministros de Hollande que se candidataram, nenhum de primeiro escalão aparecia ameaçado de perder sua cadeira no Parlamento.

Ségolène Royal, ex-candidata à presidência pelo PS em 2007, chegou na frente em sua circunscrição e, se vencer no segundo turno, pode ser a futura presidente da Assembleia Nacional. À direita, o resultado da votação não elimina nenhum dos dois pretendentes à liderança da UMP, disputada entre o ex-premiê de Sarkozy, François Fillon, e o atual secretário-geral do partido, François Copé. Na extrema direita, um dos destaques foi a vitória da ex-candidata à presidência pela Frente Nacional, Marine Le Pen, que alcançou 42% dos votos no distrito de Hénin-Beaumont.

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