Esquerda latino-americana se reúne em Buenos Aires e vê 'nó' na Colômbia

Secretário-executivo do grupo Foro de São Paulo critica papel dos Estados Unidos na região.

Marcia Carmo, BBC

18 Agosto 2010 | 22h18

A situação política da Colômbia e o papel exercido pelos Estados Unidos na América Latina foram alguns dos temas discutidos nesta quarta-feira no encontro do Foro de São Paulo - grupo que reúne representantes de partidos de esquerda latino-americanos - em Buenos Aires.

Em conversa com jornalistas, o secretário-executivo do grupo e membro do Diretório Nacional do PT, Valter Pomar, afirmou considerar que a Colômbia é o "nó que precisa ser desatado" na América do Sul, já que, em sua visão, a situação política do país e sua proximidade com os EUA servem como "pretexto" para uma maior intervenção americana na região.

"Diante da expansão da presença militar dos EUA, que coincide com governos progressistas na região, a Colômbia é um nó que precisa ser desatado. A Colômbia serve de pretexto para a ampliação dessa posição militar americana", disse Pomar.

O secretário-executivo do Foro de São Paulo afirmou ainda considerar esta presença americana "um problema gravíssimo" e que deve ser visto com preocupação pelos países da região.

"Qualquer país tem que estar preocupado com isso. Sem contar que eles resolveram reativar a Quarta Frota. O Brasil é um país produtor de petróleo e com o pré-sal, ainda mais, entendo que não vai olhar isso achando que está tudo bem", disse, referindo-se à retomada das operações, em 2008, da frota da Marinha americana que atua na região da América Latina.

Colômbia

Pomar disse ainda que os integrantes do Foro de São Paulo têm uma posição "unânime" de que é necessária uma saída pacífica para os conflitos internos da Colômbia.

Segundo ele, uma proposta neste sentido deve ser apresentada no encerramento do encontro, na sexta-feira.

Para o secretário-executivo do grupo, a Colômbia tem hoje uma "mescla de problemas", citando o crime organizado, o conflito militar, as guerrilhas, os paramilitares e o narcotráfico.

"Tem tudo misturado. Mas não é só o crime, porque se fosse, como se explica uma guerrilha com 50 anos de vida? O problema social e político deve ser solucionado na Colômbia".

O petista, no entanto, vê no governo do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, uma nova possibilidade de o país alcançar a paz, embora problemas sociais ainda precisem ser solucionados.

Farc

Embora o Foro de São Paulo tenha sido apontado por críticos no passado como um evento simpático às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Pomar negou que o grupo guerrilheiro colombiano tenha em algum momento participado dos encontros do grupo.

"A minha resposta é como um mantra: 'As Farc são parte do Foro?' Não. 'As Farc já participaram do Foro?' Não".

Segundo ele, os participantes da Colômbia no Foro foram sempre representações "legais", como os partidos de esquerda do país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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