Esquerda mantém prefeitura da capital

Pela quarta vez seguida, PRD segue no comando da Cidade do México, com vitória do procurador Miguel Ángel Mancera

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h04

A esquerda mexicana conquistou ontem, pela quarta vez consecutiva, o mandato de prefeito da Cidade do México. Em uma votação sem precedentes, o procurador Miguel Ángel Mancera, do Partido da Revolução Democrática (PRD), teve 66% dos votos. Isso significa mais que o dobro dos outros três concorrentes.

Para o candidato derrotado à presidência, Andrés Manuel López Obrador, a vitória é ao mesmo tempo um alento e um ultimato, na medida em que reflete a popularidade do prefeito que sai, Marcelo Ebrard, considerado o principal rival de López Obrador pelo direito de representar a esquerda na eleição de 2018.

Obrador governou o Distrito Federal entre 2000 e 2005 e ajudou a eleger Ebrard. A sequência de governos de esquerda na capital mexicana levou à aprovação de projetos que flexibilizaram o aborto e o casamento homossexual.

"Acho que López Obrador ainda vai tentar ser presidente, pois sua derrota não foi tão contundente quanto sugeriam as pesquisas", afirma o cientista político José Antonio Crespo.

Entre os militantes mais moderados do PRD, entretanto, há uma percepção de que se Ebrard tivesse concorrido o partido teria mais chance de alcançar eleitores assustados com a reação de López Obrador na eleição de 2006, quando foi derrotado por 0,56% e fechou a Avenida Reforma, principal artéria do centro da Cidade do México. O futuro de "El Peje", como é conhecido Obrador em referência a um peixe de seu Estado Natal, Tabasco, depende de uma negociação interna.

Haveria um pacto segundo o qual Ebrard deixaria de comprar uma briga pela disputa da indicação este ano, esperando o apoio de López Obrador em 2018. "Ebrard seria o nome natural hoje, mas não é certo que ele resista à disputa. Já foi do PRI e isso não pega bem com os eleitores mais radicais", completa o analista político René Jiménez Ornelas.

Denúncia de fraudes. O movimento Yosoy132 - que fez campanha contrária à volta do PRI ao poder - acusou ontem policiais de roubarem urnas e casos de sequestros de mesários.

De acordo com o grupo, em Chiapas, grupos de homens armados invadiram cabines eleitorais e dispararam contra os eleitora. No Estado de Guerrero votos foram falsificados e, em Baja Califórnia, milhares de urnas desapareceram.

O PRI venceu a eleição para o governo de Jalisco, reduto histórico do Partido Ação Nacional (PAN).

Por seu lado, o PAN venceu a votação para governador de Guanajuato, que já era governado pelo partido. / R.C.

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