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Esquerda na Espanha promete bloquear novo mandato de Rajoy

Líderes de PSOE e Podemos rechaçam possibilidade de se abster em voto no Parlamento após eleição complicar formação de coalizão

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2015 | 06h33

MADRI - Líderes dos dois maiores partidos de oposição espanhóis – o Partido Socialista Operário da Espanha (PSOE) e o Podemos – anunciaram nesta segunda-feira, 21, em Madri, que votarão contra a recondução do atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP). O conservador venceu as eleições disputadas no domingo com 28,7% dos votos, mas elegeu apenas 123 deputados, longe da maioria absoluta no Parlamento, de 176.

A situação do premiê tornou-se ainda mais frágil depois que o Ciudadanos, partido de centro-direita, descartou a possibilidade de formar um bloco estável no Legislativo. As eleições gerais de domingo foram consideradas históricas porque interromperam 33 anos de bipartidarismo que beneficiou PP e PSOE. Os dois partidos se alternaram no poder ao longo de sete mandatos e um dos dois ainda pode encabeçar um novo governo, mas para tanto terá de buscar uma coalizão.

Isso porque a votação confirmou a ascensão do Podemos, à esquerda, que elegeu 69 deputados, e do Ciudadanos, que terá 40 eleitos na nova legislatura.

Pela Constituição, o líder mais votado, Rajoy, tem o direito de tentar formar seu segundo governo – ele foi eleito em 2011. À tarde, o premiê promoveu uma primeira reunião da Executiva do PP para discutir suas alternativas. Na prática, o premiê tem duas: buscar um governo de coalizão com outros partidos do Parlamento ou lançar-se à tentativa de formação de um gabinete de minoria. Rajoy deixou claro que buscará uma dessas alternativas até 13 de janeiro, quando o nome do novo premiê precisa ser aprovado pelos deputados.

Paciência. Segundo o conservador, nenhuma negociação oficial foi aberta com vistas a uma aliança. Rajoy reiterou que “buscará a estabilidade”, mas não a qualquer preço. “Não se pode governar sem apoios. É importante que haja estabilidade e segurança, que é o que temos de buscar”, reiterou, enviando um recado aos independentistas, com os quais não quer aliança. “Não vou aceitar que se rompa a soberania nacional”, disse.

O maior problema do atual primeiro-ministro é a falta de alternativas para coalizões. Nesta segunda-feira, o presidente do Ciudadanos, Albert Rivera, descartou a possibilidade de uma união das bancadas dos dois partidos. Um governo PP-Ciudadanos somariam 163 deputados e ainda precisaria buscar o apoio de nacionalistas da Catalunha e do País Basco, o que Rajoy rejeita. “Deixamos claro que nosso projeto não é o de Rajoy e, portanto, estaremos na oposição”, disse Rivera.

Por outro lado, o jovem centrista de 36 anos prometeu não impedir que o atual premiê dê início a um governo de minoria, pedindo o mesmo aos partidos de esquerda, PSOE e Podemos. “A Espanha não pode ficar paralisada”, pregou. “Cabe ao PSOE esclarecer se vai permitir que a Espanha tenha um governo.”

O apelo, no entanto, não foi atendido. À tarde, o número 2 do PSOE, César Luena, informou que a Executiva Federal do partido já decidiu que não apenas não se absterá, como votará contra a recondução de Rajoy no dia 13. A mesma posição foi adotada pelo líder do Podemos, Pablo Iglesias. “O Podemos não vai permitir um governo do PP, nem com votos a favor, nem com a abstenção”, prometeu o radical de esquerda.

Bloqueio. Com baixíssimas chances de formar uma coalizão e com as promessas de votos contrários de PSOE e Podemos, a tentativa de Rajoy de lançar um governo de minoria fica praticamente inviabilizada. A situação difícil é reconhecida até por ex-líderes do PP, como o ex-premiê José María Aznar, que nesta segunda-feira pediu ao premiê que convoque uma assembleia do partido para discutir quem deverá ser o novo líder.

Se Rajoy desistir de formar um governo, a tentativa caberá ao líder do PSOE, Pedro Sánchez, segundo nas eleições de domingo, com 22,02% do eleitorado e com uma bancada de 90 deputados. Uma hipótese evocada na Espanha é a de uma frente de partidos de esquerda, a exemplo da organizada por António Costa, primeiro-ministro de Portugal.

Líder do partido Esquerda Unida (IU), que elegeu dois deputados, Alberto Garzón, disse estar pronto a participar de um gabinete de ampla coalizão. “Não vamos deixar que o PP governe”, justificou.

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