Esquerdista cristão é fenômeno político no Equador

É um novo fenômeno político do Equador. Na infância, foi um menino explorador, quando jovem, missionário católico, depois, professor universitário. E agora, Rafael Correra é o mais firme aspirante à presidência defendendo ideais de esquerda.Lidera as pesquisas para as eleições de 15 de outubro com 26% das intenções de votos e em ascensão, seguido do social-democrata León Roldós, que estacionou nos 19%.Correa, de 43 anos, se define como "um homem de esquerda, mas não de uma esquerda marxista e sim de uma esquerda cristã"."Meu pensamento político, econômico e social se nutre das sagradas escrituras e da doutrina social da Igreja", complementa.Em vídeo distribuído à imprensa, afirmou que teve "uma infância feliz, porém dura". "Éramos uma família de classe média baixa com muitas limitações econômicas, jamais tivemos carro, por um bom tempo não tivemos televisão, muito menos uma TV colorida", completou.Contou que desde pequeno, e por 20 anos, permaneceu vinculado ao movimento Scout de Guayaquil, do qual disse que "éramos como uma família".Um amigo da época de infância, Camil Chamoun, assegurou à Associated Press que Correa "nunca foi pelo conflito, mas tinha um caráter muito forte, liderança nata, ele organizava tudo, desde as pequenas coisas, como uma partida de futebol, até os estudantes do colégio".O irmão do candidato, Fabrício Correa, expressou que "nunca foi o típico irmão menor que corria buscando proteção, era auto-suficiente, muito autônomo e se tinha que partir para a briga, o fazia sem medo".Correa contou que fez trabalho de evangelização no início da década de 80 em um enorme e empobrecido assentamento de Guayaquil, chamado Guasmo, onde passou a viver por um mês.Depois de receber o diploma de economista na Universidade Católica, em meados dos anos 80 e a convite da comunidade Salesiana, viajou à empobrecida cidade indígena de Zumbahua, a 3.600 metros de altura nos Andes, onde viveu por um ano.Fabrício disse que seu irmão criou um grupo pastoral juvenil, que existe até hoje, e deu aula de matemática às crianças e jovens do local.Sobre sua amizade com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, o candidato afirma que "é uma amizade que honra", mas alguns adversários o acusam de estar recebendo fundos eleitorais da Venezuela, o que é negado por Correa.Afirma que sua plataforma de luta está dirigida contra as instituições tradicionais da política, da economia e sociais vigentes neste país, que propõe modificá-las através de uma Assembléia Constituinte com plenos poderes.

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