Olivier Douliery/EFE
Olivier Douliery/EFE

'Essas tragédias precisam acabar', diz Obama em Newtown

Presidente dos EUA discursa em vigília pelas vítimas do massacre na escola Sandy Hook

Denise Chrispim Marin, correspondente,

16 de dezembro de 2012 | 19h08

Atualizada às 00h15

O presidente dos  Estados Unidos, Barack Obama, discursou na noite de domingo em uma homenagem às vítimas do massacre que deixou 28 mortos na escola fundamental de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut. Ainda sem resposta para a tragédia na escola primária Sandy Hook, Newtown foi tomada ontem por informações desencontradas e rumores, pela emoção da divulgação de fotos e da curta história de vida de suas 20 vítimas entre seis e sete anos de idade e pela espera da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Uma missa pelas vítimas na igreja Santa Rosa de Lima foi suspensa após ameaças.

"Refleti nos últimos dois dias e cheguei à conclusão que não (estamos cumprindo com a obrigação de manter nossas crianças seguras), que nós temos de mudar. Não podemos mais tolerar isso. Essas tragédias têm de acabar. Nós podemos fazer melhor", afirmou Obama, para relembrar os locais das tragédias anteriores a Newtown. "Não podemos aceitar esses eventos como se fossem rotina."

Havia enorme expectativa de Obama voltar a defender a aprovação de uma nova legislação federal de controle do comércio de armas nos Estados Unidos. A lei anterior fora revogada em 2004. Ontem, o governador de Connecticut, Dan Malley, defendeu a medida em entrevista à CNN. Mas, ciente do formato religioso da cerimônia, apenas sugeriu "mudança".

"Vim aqui para trazer o amor e as preces da Nação. Vocês não estão sozinhos na sua dor", afirmou Obama, em Newtown, no auditório onde participou de uma tocante cerimônia ecumênica pelas vítimas.

Obama, horas antes, encontrou-se reservadamente com as famílias de cada uma das vítimas. A Casa Branca manteve o teor das conversas sob sigilo. Uma das famílias com as quais ele conversou foi a de Victoria Leigh Soto, a professora de 27 anos. Considerada heroína da tragédia, ela escondera seus alunos em armários ao ouvir os tiros e foi ao encontro do atirador, a quem disse que os estudantes estavam na sala de ginástica. Lanza a matou com um tiro, mas seus alunos saíram ilesos. Ele conversou também com os policiais que atenderam ao chamado de emergência vindo da escola, os primeiros a ver a cena de horror. 

A visita de Obama teve o objetivo de trazer conforto às famílias das vítimas e repetiu seu gesto em Aurora, no Colorado, depois do massacre de 12 pessoas em uma cinema em julho. 

Retificações. Ontem, foram esclarecidos dados divulgados e coletados inicialmente pela imprensa sobre o atirador, Adam Lanza, de 20 anos, e sua mãe e primeira vítima, Nancy.

Autoridades de ensino local informaram que Nancy nunca atuou como professora na escola Sandy Hook, como havia sido dito antes, mas não chegaram a confirmar nem a descartar se Adam havia estudado ali quando criança. Nancy foi descrita como uma mulher divorciada que concentrara-se na educação do filho, a ponto de retirá-lo da escola em alguns períodos e educá-lo em casa. Não foi confirmado se Adam, que tinha dificuldades de convívio social, tinha algum tipo de transtorno psiquiátrico.

Nancy foi descrita como uma entusiasta de armas, que ensinara os filhos a usá-las e mantinha em casa duas pistolas, ambas devidamente registradas. Marsha Lanza afirmou que sua cunhada tinha armas por questão de defesa pessoal. "Ela morava sozinha. Ela era uma mulher sozinha", afirmou para a rede de televisão NBC. Seu ex-marido, Peter Lanza, executivo da GE Energy Financial Services, não adicionou elementos para explicar o episódio. "Nós também estamos perguntando o porquê", afirmou.

Com base nas informações coletadas pela polícia, a imprensa americana reconstruiu a sequência de atos de Adam. Ele usou uma das armas da mãe para matá-la, muniu-se de outras duas e dirigiu, no carro dela, até a escola primária. Não foi recebido voluntariamente, como dito nas primeiras horas depois do crime, mas quebrou uma vidraça, por onde ingressou no prédio.

Ele usou apenas uma das armas, um rifle de assalto Bushmaster calibre 0.223, de finalidade militar. Atirou nas primeiras pessoas que encontrou - a diretora Dawn Hochsprung, de 47 anos, e a psicóloga Mary Sherlach, de 56 anos - e tentou entrar em uma sala de aula, mas a porta estava trancada. Na sala seguinte, cheia de alunos, disparou. Alguns corpos receberam 11 tiros.

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