''Esse relatório é apenas lixo para atrapalhar o clima na região''

ENTREVISTA - Nicolás Maduro, Ministro de Relações Exteriores da Venezuela

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2011 | 00h00

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, foi o encarregado de avisar o governo brasileiro de que o presidente Hugo Chávez não viria mais ao País. No dia em que foi divulgado o relatório sobre os dados encontrados no computador do líder das Farc, Raul Reyes, que mostra a ligação do grupo com Caracas, surgiram suspeitas de que o problema no joelho de Chávez fosse uma desculpa para não responder sobre o documento. Maduro disse ao Estado que o relatório é uma conspiração para acirrar a tensão na região.

O que o governo diz sobre a relação com as Farc apontadas no relatório?

É um relatório como tantos que têm saído ao longo dos anos, que são parte de campanhas internacionais armadas contra o governo bolivariano do presidente Chávez, para justificar políticas de agressão contra o nosso país. Esse relatório é apenas lixo. Cheio de intrigas, de mentiras e com um objetivo central: atrapalhar o clima positivo que temos construído com o novo governo da Colômbia e na América do Sul a partir da melhora do relacionamento com Bogotá.

Mas o relatório tem base em documentos retirados do computador do segundo homem mais importante das Farc e acusa diretamente a Venezuela.

Hoje, ninguém sério no mundo dá veracidade a esse suposto computador. Já passou o tempo no mundo em que qualquer pessoa poderia ser surpreendida em sua boa-fé e desse crédito a esse computador. Em todo o caso, esse é um relatório que tem um objetivo político. Lançaram-no em Londres e Washington. Imagine qual o objetivo que pode haver? Lançaram com o objetivo de causar danos ao Sul. Não tem outro objetivo. É um objetivo político.

Não houve em nenhum momento contato do governo Chávez com as Farc, algum pedido de apoio ou oferecimento?

Os únicos contatos que foram feitos em 12 anos de governo bolivariano são os solicitados pelo próprio governo da Colômbia em distintos momentos. Apenas o que nos foi autorizado, por causas humanitárias ou para ajudar o resgate de algum refém ou em alguma questão de paz.

O governo venezuelano tem conhecimento de ações das Farc dentro do seu território?

Jamais se permitirá nem se permitiu, nos 1,2 mil quilômetros de fronteira, a ação de nenhum grupo irregular, nenhum grupo armado. O uso de armas no território venezuelano é de uso exclusivo das Forças Armadas. Temos incrementado, cada vez mais, a vigilância, a segurança e a presença militar na fronteira.

Levantou-se a hipótese de Chávez ter cancelado sua viagem por causa do relatório.

A verdade é a única que foi dita. Temos de agradecer à imensa solidariedade que os chefes de Estado da América Latina têm demonstrado com o presidente Chávez. Desencadeou-se uma campanha de solidariedade para que ele se recupere em breve (de um problema no joelho).

QUEM É

É ministro das Relações Exteriores da Venezuela desde 2006. Ex-líder do sindicato dos metroviários de Caracas, foi um dos principais ativistas que atuaram na libertação de Hugo Chávez e ajudou a coordenar a primeira eleição do presidente. Integrou o Parlamento até 2006, antes de assumir a chancelaria.

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